Continuação...
Tália não se sentia na obrigação de contar a Darío que era mãe e muito menos de discutir isso no meio da sala de sua casa com os tios e a filha na cozinha.
-Aqui não é o lugar!- Falou ela por entre os dentes. Estava difícil controlar sua raiva diante da invasão dele em seu lar.
-Onde é o lugar?!- Perguntou em tom baixo, visivelmente tenso.
Não podia acreditar que estava sendo enganado por todo aquele tempo...
-Vamos lá fora...-Disse ela já se dirigindo para a porta.
Ele queria explodir sua raiva, mas concordava que ali não era o lugar para isso. Assim não retrucou com Tália e a seguiu. Quando chegaram no portão, ela se virou e disse:
-Acho melhor a gente ir para outro lugar.
Darío em silêncio apertou o alarme do carro, abrindo o veículo, já ia abrir a porta para Tália, mas ela se antecipou e subiu a camionete. Ele fechou a porta dela e deu a volta indo para o lado do motorista. Em um silêncio sepulcral, dirigiu até a praça que a havia deixado da última vez. Tália não o encarava pensativa. Tudo parecia sem lógica para ela...
Quando estacionou o carro, ele se virou para ela e perguntou novamente:
-Quando você ia me contar sobre a sua filha?!- O tom era sério.
Tália não se voltou para ele, seguia olhando para frente, mas não se negou a lhe reponder:
- Não lembro de você ter me perguntado sobre esse assunto!- Disse emburrada.
Darío se indignou e deu um golpe no volante do carro:
-PORRA! Eu precisava perguntar algo tão importante assim? Não é você que teria que me informar sobre esse PEQUENO detalhe da sua vida?!
Tália o encarou indignada e gritou:
-QUANDO VOCÊ QUERIA QUE EU FALASSE SOBRE A MINHA FILHA. E NÃO UM PEQUENO DETALHE QUE VOCÊ FALOU? QUANDO TERMINASSE DE PASSAR A SUA ROUPA OU QUANDO PARASSE DE CHUPAR O SEU PAU?!
Darío aturdido com a explosão dela abriu a boca para responder, mas fechou sem encontrar uma resposta. Tália o encarava com os olhos esbugalhados de raiva.
Ele encostou a cabeça no encosto do carro e a olhava com seus olhos claros:
-Eu não falei PEQUENO DETALHE querendo menosprezar a sua filha, apenas quis dizer que não é um detalhe. Acho que você no primeiro momento deveria ter me dito sobre ela.
Tália riu seca com o comentário e contestou:
- Quando eu fui entrevistada por você depois de ter sido selecionada pela agência de emprego, não lembro de você ter perguntado sobre filhos. A única coisa que me perguntou foi se havia algo que pudesse me fazer faltar ao trabalho. E nesse um ano e pouco, você nunca teve o que reclamar de mim. Sempre cumpri com o meu trabalho e até mais um pouco...por isso não vejo o motivo desse escândalo todo...
Ele, ainda com a cabeça encostada e voltada pra ela, falou de maneira mansa:
-Você acha que o quê me irritou foi a possibilidade de faltar ao trabalhar? Nós dormimos juntos, Tália!
Ela desviou o olha do dele, voltando a olhar para frente:
-Transar! Apenas isso, Darío! Não fazemos nada mais que duas pessoas adultas fazem... E você não faz apenas comigo. Não é mesmo?- Fez a pergunta, era preciso lembrar-lhe que não havia fidelidade da parte dele, olhando-o de repente.
Ele se colocou reto e disse:
-Sim, nós transamos e gostamos muito. Ou estou enganado?! Acho que só isso já é o suficiente para que você me contasse sobre sua filha!
-Não concordo! Acho que você não tem nenhum direito à nada, como também não tenho e não fico te cobrando isso ou aquilo.
Darío estava se sentindo um imbecil ao ter a verdade jogada em sua cara. Tália tinha razão, eles apenas desfrutavam do sexo intenso um com outro, nada mais do que isso... Por que ficar ali querendo explicações quando não tinha nenhum direito? Esses pensamentos o fizeram lembrar sobre o real motivo de estar ali, já ia se esquecendo da possibilidade de que ela pudesse ter engravidado dele:
-Ok! Você tem razão! Não sou de reconhecer uma derrota, mas você tem razão... Eu vim aqui por outro motivo e terminei ficando confuso ao descobrir sua filha...
-Que motivo?! -Perguntou ela.
- Há a possibilidade de você estar grávida! Você falou que ia tirar caso isso se confirmasse...Eu não quero que isso aconteça! Eu quero esse filho!
Ela não sabia o que dizer ao escutá-lo:
-Você fala como se tivesse certeza disso. Daqui a alguns dias saberemos, aí conversamos... Se era apenas isso, você pode ir em paz para casa.
Ele não queria ir, não queria dar por terminado aquela conversa. Queria saber mais sobre a filha dela, queria que ela dissesse que teria o filho dele. Darío levou uma das mãos ao rosto dela, fazendo com que ela o olhasse e se aproximou:
-Eu não quero que a probabilidade de que você tenha um filho meu seja descartada. Não sabemos se você está grávida, mas caso esteja, eu quero esse bebê! Quero que isso fique claro para você!
Ela tentou puxar o rosto de perto do dele, mas se sentiu mais presa por ele que não desviava o olhar de maneira alguma e a segurava firme:
-Você tem contato com o pai da sua filha? Ele é um homem presente na sua vida?!
-Isso não te diz respeito, Darío! E por favor me solte!
Ele ignorou o que ela havia pedido e perguntou novamente:
-Ele visita vocês? É um homem presente na sua vida?!
O olhar dele era firme, a pergunta necessitava de resposta!
- Não! Anne é uma produção independente. Eu a crio sozinha com a ajuda dos meus tios e o apoio da minha irmã!
Darío suspirou aliviado e puxou ela para sua boca. A jovem surpresa ficou um pouco aturdida com a reação dele, mas não pôde resistir ao beijo desesperado. Era como se ele quisesse marcá-la como dele com apenas aquele beijo. Tália retribuiu o beijo de forma apaixonada, levando uma das mãos a lateral do rosto dele e se deixou levar pelos lábios apaixonados. Ele parecia não cansar de beijar-lhe de maneira intensa. Quando se deu conta que Tália tinha uma ligação muito sério com outro homem por causa da filha, algo mexeu com ele. Não gostaria de competir com outro alguém, principalmente, quando não teria nenhuma vantagem, o quê o pai da menina teria...
Ele a deixou por alguns segundos sem deixar de tocá-la:
-Não quero que outro homem se aproxime de você! O que é meu, não divido!
Ela que o encarava se sentiu pressionada pela frase possessiva dele e retrucou:
-Eu não sou um objeto, Darío! Eu sou dona de mim mesma...
Ele percebeu que havia passado dos limites e teve que aceitar o argumento de Tália:
-Desculpe, não sei o que me deu pra falar assim...-Explicou se soltando dela e segurando o volante da camionete.
Tália soube que ele não sabia como se comportar diante daquele Darío, para ela era bem estranho vê-lo daquela maneira. Darío Albuquerque sempre fora tão seguro e naquele momento percebia que a arrogância dele e a tal segurança,que lhe atribuía, haviam desaparecidos. Talvez ele não estivesse preparado para se aceitar humano como ela sempre fora, mas, se fosse verdadeira consigo, nem ela mesma estava preparada por aquele Darío. Já havia se acostumado com aquela versão que tinha resposta pra tudo, que impunha suas vontades.
-Acho que essa conversa já deu o que tinha que dar! Preciso voltar pra minha família, pra minha filha...
- A gente precisa conversar sobre isso que existe entre a gente!
-Um outro momento... Depois conversamos, Darío!
Ele ficou alguns segundos olhando-a até que se decidiu:
-Ok! Vou te levar até sua casa e depois conversamos melhor e com mais calma!
Amo eles ... falar a verdade seria ótimo...
ResponderExcluirSeria mesmo! rsssss.
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