Continuação...
- Tchauuuuu!- Gritou Anne ao ver o carro de Darío se afastando após a buzinada dada.
Tália estava encantada em ver a
filha tão feliz daquela maneira.
O início do passeio havia sido um desastre, que para a mãe pareci
ser irreversível, afinal o medo que Darío criasse antipatia pela filha havia crescido a cada minuto do passeio, em que a menina se mostrava irritadiça e com muitos ciúmes. Porém a surpresa se deu quando ele ofereceu que andassem de pedalinho nos cisnes da Lagoa. Thauanne mudou completamente e a alegria tomou conta da menina. Foi a primeira vez que, junto com Darío, Tália a viu gargalhar e pela cara do pai, a risada da menina o fizera feliz. Dali em diante, tudo se transformou! Passearam pela a Lagoa por alguns minutos e quando terminaram os minutos contratados, Anne até resistiu para sair da embarcação, mas ao escutar a nova sugestão de passeio tanto mãe e filha ficaram de boca aberta. Darío as convidou para dar uma volta de helicóptero. Ali havia uma heliporto em que quem estivesse interessado poderia contratar um dos passeios pelos pontos turísticos da cidade, como sobrevoar o Cristo Redentor entre outros lugares ícones da cidade maravilhosa. A menina apenas dizia:
- Vamos andar de avião?!- perguntava eufórica e surpresa.
-Helicóptero!Não é uma avião, Anne.- disse ele, dando a mão para que a menina segurasse e até começou a explicar a diferença de um para o outro, mas ao perceber que isso não importava para a menina, calou-se.
Os três caminharam de mãos dadas até o heliporto. A menina falava sem parar que ia andar de avião... Darío sorria, olhando para a Tália, que não podia resistir a felicidade que sentia em ter aquele momento à três. Fingir que faziam parte de uma família era o que ela havia descoberto ser sua mais recente fantasia.
-Tália, não é melhor comermos algo antes de fazer o passeio de helicóptero?- perguntou ele ao passarem em frente a um quiosque.
-Quero ir de avião! - disse a menina, mostrando que comer era a última coisa que queria naquele momento.
A mãe sabia que a filha não conseguiria comer nada, pensando no tal "avião ":
-Melhor fazer o passeio, na volta comemos. Até mesmo para que certa pessoinha não passe mal lá em cima com estômago cheio.
-Ahhh sim! Não havia pensado nisso.
- Vamos filha contar aos vovôs sobre o nosso passeio?-chamou a mãe enquanto abria o portão da casa. Anne ainda estava vidrada no carro de Darío ganhando estrada.
Assim que deu passagem para a menina, Tália assistiu Anne correr pelo quintal gritando "Vôoooo Bira!". A mãe sorriu com a alegria da filha e saber que aquela alegria fora fruto de um dia com o pai, fazia Tália perceber que havia valido a pena todo aquele tempo que trabalhara para ele e havia sofrido por não ter a mínima importância. Agora, estavam começando a realmente se conhecerem e estava gostando daquele Darío que propusera sair com a filha, que se preocupava com a hora da comida de Anne, que dizia que iria providenciar a cadeirinha para colocar no carro para a menina. Eram pequenos gestos que mostrava um outro lado dele. E se ela sem conhecer esse lado, já era apaixonada, agora então...não sabia se existia um nome para designar o que sentia por ele, mas sabia que era extremamente forte!
(...)
Darío ainda estava eufórico com o dia que havia passado ao lado de Tália e Anne. Nunca havia se envolvido assim com uma mulher que tivesse filho. Gostou muito da menina, apesar de se convencer que demoraria alguns anos para pensar em ser pai com seriedade. Ainda tinha receio de que Tália descobrisse que estava grávida dele depois daquele interlúdio inconsequente, mas esperava calmamente o momento da comprovação ou não. Seu pensamento estava focado em Tália e Anne enquanto ele dirigia para o apartamento de sua mãe. Sabia que precisava conversar com alguém sobre esse novo relacionamento que havia começado com a ex-empregada. Era louco ser tão contrário a compromisso e de repente sem nem analisar bem, havia se metido em um com Tália. Não queria perdê-la e sabia que se não tivesse se envolvido realmente, ela teria virado às costas para ele. Havia sentido que ela precisava de mais de sua parte e estava se esforçando para ser o homem que a faria feliz, mas ainda estava longe de ser um futuro marido ou até mesmo um pai para a filha dela.
Sentia que Tália ainda não estava totalmente à vontade com ele. Não na cama, porque lá ela sabia instintivamente como se relacionar com ele; mas fora daquela intimidade, era palpável seu incômodo. Talvez levasse tempo para que ela conseguisse agir de forma tranquila com ele. Parecia sempre que estava com medo de aborrecê-lo com algo...
(...)
- Nem acredito você apareceu sem que eu precisasse pedir!- disse a mãe sorrindo. - Vou fazer uma salada de atum para comermos. Você deve estar com fome...
- Não precisa, Dona Inês! Eu comi tanta besteiras hoje, que acho que amanhã vou passar a manhã da academia para ver se elimino... -explicou ele beijando o topo da cabeça da mãe enquanto a soltava do abraço.
-Faço rápido, Darío! Se você tivesse dito que viria, teria feito algo mais saboroso.
Os dois foram juntos para a cozinha, o filho logo se acomodou numa das cadeiras e observava a mãe pegar os ingredientes para a salada.
-E o que conta de novo, filho?! Como anda a agência?- perguntou se voltando para ele enquanto limpava a lata de atum.
-Tudo em ordem... Eu que tenho tomando mais a frente de tudo, Bauti está envolvido em ser pai...Aí já viu...
-Bauti vai ser pai?!- Dona Inês se surpreendeu com a notícia.
-Ainda não, mas ele e a namorada estão nesse projeto!- esclareceu.
-E quando vai ser a sua vez, hein?- sorriu a mãe se voltando para a pia.
- Acho que vai demorar um pouco, não sei se estou preparado para ter filhos. Sei que o seu sonho é ser avó, Dona Inês! Mas talvez seja melhor esperar mais de Dafine do que de mim!- Brincou ele.
- Você nem fale sobre sua irmã engravidar. Não gosto nem de imaginar o pai de uma filho dela, como o maior objetivo da sua irmã é me desafiar, não duvido nada ela aparecer grávida de um traficante.
Darío sabia que era bem possível o que sua mãe temia.
- Estou me envolvendo com uma pessoa, mas não tenho planos de ter filhos agora.- revelou ele.
Dona Inês se voltou para ele sorrindo e disse:
- Que maravilha, filho! Não lembro qual foi a última vez que você teve um namorada. Sempre saindo pra essas festas, trocando de mulher como se trocasse de cueca...
Por mais que a mãe entendesse a condição dele de solteiro convicto, entendia que ela gostaria de vê-lo em um relacionamento sério.
-Então... estamos saindo, mas não tem nada estabelecido... Hoje fizemos um passeio na Lagoa com a filhinha dela.
A mãe levava a salada para a sala de jantar enquanto Darío pegava os pratos acompanhando-a.
-Ela tem uma filha?! E você ainda passeou com as duas? Então o relacionamento é mais sério do que eu imaginava...
-Sabe que não levo jeito com criança, mas imaginei que fosse importante pra ela... Acha que fiz mal em sair com elas ?
- Claro que não! Toda mulher com filho precisa sentir que o seu novo relacionamento aceita sua condição de mãe...
Darío voltou a cozinha para pegar os talheres e copos; já a mãe pegava a jarra de suco.
- Acho que você vai gostar de revê-la...
- Eu já a conheço?- perguntou a mãe surpreendida, sentando-se a frente do filho.
- Sim, ela trabalhava pra mim. É a Tália, a minha empregada.
Dona Inês ficou em silêncio por alguns segundos e disse séria:
- Você vai repetir a minha história com o seu pai?!
Darío que levava o garfo a boca com um bom bocado da salada, devolveu o garfo ao prato e disse:
- Há uma diferença, ela não tem filho do patrão.
Dona Inês arregalou os olhos e baixou a cabeça, escondendo os olhos lagrimejados:
-Desculpe, mãe! Não queria magoá-la. Eu sou um bruto mesmo!- disse profundamente arrependido pelo que havia dito.
A mãe voltou o olhar para ele e deu um sorriso triste:
- Eu sei que fiz um mal terrível a você e sua irmã por não revelar a paternidade de vocês, mas não era fácil contar que fui fraca o suficiente para ser amante do meu patrão. Espero que um dia você e sua irmã possam me perdoar do fundo do coração!
Darío se levantou e abraçou a mãe:
-Me desculpe! Eu já perdoei há muito tempo, mãe. Não sei o que deu em mim pra falar um idiotice dessas.
A mãe se soltou dos braços do filho é passou aos mãos pelo rosto dele:
-Só te peço que não magoe essa jovem, filho! Eu sei o que é amar o patrão e não ser correspondida. A posição é muito incômoda!
Ele voltou a beijá-la na testa e comentou:
-Tália não me ama, mãe! Apenas curtimos o que há entre nós dois... E não há porquê eu não ter uma relação simpática com a filha dela, mas desde o início ela soube bem quem eu sou e o que deve ou não esperar de mim! Fique tranquila, não vou fazer ela sofrer! As mulheres não são tão românticas como as mulheres do tempo da senhora.- disse sorrindo.
- Não existe idade para o romantismo, filho! E como ela não vai se apaixonar por um homem como você? Apenas tome cuidado para não fazer ela e a menina sofrer!
- Pode deixar , Dona Inês!
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