Início da noite de sábado...
- Vamos tomar um banhinho, filha?- perguntou à Anne.
A menina estava olhando fixo para a TV, sentada ao lado de tio Bira, o senhor já havia adquirido o hábito de assistir a todos os desenhos que a neta gostava, até mesmo quando a menina estava na escola o senhor sentava pra ver alguns desenhos o quê causava graça em tia Dolores.
- Agora não, mãe!- disse emburrada.
- Vamos, Anne! Depois você volta.
A menina se levantou emburrada, parecia uma adolescente quando se era obrigada a fazer algo que não queria.
(...)
Tália já havia jantado quando o celular tocou, ela pegou o aparelho rapidamente e saiu da mesa sobre o olhar curioso da tia que retirava a mesa.
-Alô.
-Oi, Tália!
-Oi, Darío. Tudo bem?
-Tudo, foi na sua irmã?
- Fui sim, passamos o dia lá...
- Que bom...Pesquisei o que poderíamos fazer amanhã com a sua filha e achei podemos passar o dia na Lagoa Rodrigo de Freitas.
- Acho que ela vai gostar, sempre tem muitas crianças por lá...
- Então passo por aí às dez da manhã pra podermos aproveitar bem.
Tália achou lindo que ele quisesse passar o dia com ela e a filha, mas custava se sentir à vontade com ele neste sentido depois de ter sido acostumada a tê-lo como alguém inalcançável para ela. Apesar de tudo ia aproveitar tudo que pudesse ao lado dele.
-Estaremos esperando...
-Certo. Até amanhã, beijo.
-Até...
Assim que tirou o celular do ouvido se deparou com a tia a olhando, esperando uma explicação certamente. Desde que soubera que Tália sairia com a filha no outro dia que esperava saber para onde e com quem, no fundo imaginava, mas queria a confirmação da sobrinha.
- Você vai sair com ele e a Anne? Ele já sabe?
Tália guardou o celular no bolso da bermuda e disse:
- Não, tia. Ele quer passear amanhã com Anne e tudo que eu sempre sonhei está se tornando realidade, por isso vamos passear amanhã. Espero que ele goste muito dela... Quero muito poder dizer a verdade e que ele goste de saber de tudo, principalmente, porque ela é uma menina linda!- falava emocionada.
A tia se aproximou e puxou Tália para os seus braços:
-É impossível não amar a Anne, filha. Tenho certeza que tudo vai dar certo...fique calma. Só não deixe passar muito tempo escondendo a verdade dele, porque pode ser tarde demais quando você finalmente contar.
- Não vou deixar...
As duas se soltaram e a tia voltou para a cozinha, deixando a sobrinha com suas emoções.
(...)
No outro dia...
Anne havia escolhido a roupa que ia usar para sair com a mãe, há algum tempo a menina já resolvia o que usar, se a mãe pegava uma roupa que ela não queria, ficava emburrada ou até armava um pequeno escândalo. Já com tia Dolores não reclamava, aceitava tudo que a tia dizia sem questionar...Tália sabia que a menina fazia isso porque era muito mimada por ela, mas no seu íntimo achava que o gênio da menina era igual ao do pai, se é que era possível herdar personalidade de pai e mãe. Afinal a menina nunca conviveu com o pai então não poderia dizer que aprendeu com o pai a agir daquela maneira.
- Vamos levar uma outra peça de roupa! - disse Tália pegando mais uma bermuda florida e uma camiseta rosa.
-A gente vai nos bichinhos ?- perguntou a menina com uma Barbie na mão. Desde que ganhou a boneca no dia anterior da tia Tula que Anne não a largava.
A menina era apaixonada por bonecas, mas quando eram negras parece que despertava nela um carinho maior. Talvez fosse o fato de se reconhecer em seus brinquedos...
O celular vibrou, fazendo a mãe verificar a mensagem de Darío:
"Já estou no portão!"
- Vamos filha!
- Vamos!
-Vai dar um beijo nos vovôs!
- Vóooo!- gritou Anne correndo para onde estava os avós. - Eu já vou passear com a mamãe.
Os avós deram um beijo na menina, Tália também se despediu dos tios e dirigiu a menina para a saída da casa. As duas vestiam bermudas jeans e camisetas. Até pareciam vestidas iguais, foi pura coincide... Ao abrir o portão, a mãe se deparou com a camionete de Darío, voltou-se para a menina e disse:
-A gente vai passear com um amigo da mamãe. Tá bom?
Havia preferido não explicar à filha antes, porque provavelmente ela não entenderia o que significava sair com um homem junto além de tio Bira e Henri, afinal eram os únicos homens que circulavam entre elas. Tália desde que engravidara não tivera contato com nenhum outro homem que não fosse Darío. Quando o reencontrara na qualidade de seu patrão e logo depois amante, terminara por acabar definitivamente com a possibilidade da jovem ter um namorado, já que a paixão foi instantânea. Aquele domingo seria a primeira vez que Anne começaria a conviver com um homem próximo a mãe, Tália esperava que a filha reagisse bem.
- Tá bom!
Foram para a camionete, sendo recebidas por Darío que aos vê-las saiu do carro para recebê-las:
-Oi, Tália! -Beijou-a no rosto sobre o olhar curiosa de Anne.
Assim que ele cumprimentou à Tália, voltou-se para a menina e de abaixou dia da menina. Hum homem com aquela altura era um pouco atordoante para um pessoa adulta, imagina para um menina...
-Oi, tudo bem?!-perguntou ele de frente pra filha de Tália.
-Oi...
-Você se lembra de mim?- perguntou ele simpático.
A menina olhou pra mãe sem saber o que dizer, realmente Darío a intimidava, porque ela não era de ficar sem palavras.
-Conhece sim, filha. Diz que você lembra quando ele foi lá em casa. -Ajudou Tália simpática.
- Lembro...
- Que bom! A gente vai passar um dia lindo ...- Falou sorridente, esperando que a menina sorrisse, mas nada aconteceu.
-Então Vamos?!- disse a mãe quebrando o momento.- Você tem cadeirinha pra poder colocar a Anne, Darío?
Darío se levantou em silêncio parecia que havia visto algo na expressão da menina e respondeu:
- Não pensei nisso! Nunca precisei usar essas cadeirinhas, semana que vem providencio.
E assim abriu a porta traseira para acomodar Anne.
(...)
- Mãe!
-O que houve, Anne?
A menina interrompia aos dois a todo momento. Toda vez que eles entabulavam uma conversação a menina perguntava algo ou apenas chamava a mãe. Era evidente que ela queria a atenção da mãe apenas para si. Tália conversava um pouco com ela, mas depois se voltava para Darío que esperava que ela explicasse o que fosse que a menina queria saber. Parecia calmo, mas o medo de que ele estivesse odiando aquele pequeno passeio com a menina crescia em Tália. Ela não via a hora de que chegassem a Lagoa para que a assim a menina mudasse de humor com vendo as crianças brincarem, mas parecia que quanto mais se esperava chegar mais demorava...
Quando já estavam circulando a Lagoa enquanto ele procurava um lugar para estacionar, Tália chamava atenção da filha para os barcos:
-Olha lá filha os barquinhos.
- Onde?Cadê?
A mãe apontava.
Alguns minutos depois quando estacionaram, enquanto desciam do carro, Tália comentou para ele:
- Agora ela vai mudar de humor, você vai ver...
Ele olhou Tália e não disse nada.
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