sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Capítulo 19: O início

No dia seguinte...
Tália não via a hora de se encontrar com Darío e por um fim em toda aquele apreensão que vinha passando durante todas aquelas semanas. Depois que ele descobriu que ela tinha uma filha, o patrão desapareceu! Era mais do que claro que ir pra cama com uma mulher sem filhos era uma coisa, mas com filho era um problema grande para ele. Talvez tivesse considerado que ela começaria buscar nele um futuro pai pra Thauanne. Aquele pensamento até havia tirado um sorriso sem alegria dela, afinal Darío estava longe de saber que ela não precisava arrumar um pai pra filha, ele mesmo era o pai! O comportamento posterior ao conhecimento a fez perceber que revelar a ele sobre a paternidade de sua menina estava fora de cogitação. Não mendigaria afeto para ela, nem pra menina! Thauanne nasceu sem pai e estava sendo criada sem um, não sentiria falta! Seu tio Bira era o mais próximo de um pai que a menina teria... Não colocaria a filha naquela posição!
Além de toda a tensão que vinha sofrendo, pensando em contar-lhe sobre Thauanne  ainda havia tia Dolores que não passava um dia sem perguntar "Já falou com ele?!". O olhar da tia era inquisidor, e Tália sabia que ela tinha razão, mas ninguém gostava de ser pressionada! Dessa maneira havia tomado a sua decisão definitiva: deixaria o emprego sem contar nada sobre a filha! Se até aquele momento Darío estava bem sem ter uma filha, não seria ela que traria "esse problema" pra ele... Thauanne era SUA menina e viveria apenas tendo ela como responsável! Não faria a filha passar pela aflição de querer ser aceita por um pai que não a queria. Tudo estava mais do que resolvido e estava preparada para enfrentar a Darío.
Quando chegou ao apartamento de Darío, a primeira coisa a fazer foi guardar suas pequenas coisas que costumava ocupar o banheiro e o pequeno quarto de empregada. Guardou tudo: shampoo, condicionador, desodorante, toalha, um conjunto de bermuda e camiseta que usava como uniforme para o trabalho e outras miudezas. Não deixaria nada pra trás, aquela etapa mal resolvida de sua vida seria deixada pra trás definitivamente.
Ao guardar tudo em sua bolsa, foi fazer a comida que ele havia pedido, não se importava que estivesse com a roupa que havia vindo de casa... Queria deixar tudo organizado no seu último dia  de trabalho e falar com Darío rapidamente pra poder seguir seu rumo... Assim teria que ser!
(...)

Tudo estava como Tália havia idealizado, mas estar de frente ao homem que amava, que esperava que ela explicasse o porquê de deixar o emprego, fazia com que ela sentisse as pernas frágeis     

Tudo estava como Tália havia idealizado, mas estar de frente ao homem que amava, que esperava que ela explicasse o porquê de deixar o emprego, fazia com que ela sentisse as pernas frágeis.
- Então é isso... Acho que você logo logo terá quem me substitua, mas o apartamento está como você gosta, fiz comida para quase uma semana, os seus ternos peguei na lavanderia... -Falava ela olhando pra ele, mas sem se deter naquele olhar que parecia transpassar seu corpo.
Ele continuava sentado de maneira displicente, mas seu olhar era penetrante. Parecia que via mais do que ela gostaria que enxergasse.
-Está tudo direito. Obrigado!-Disse manso.- Preciso de alguns dias para fazer a sua rescisão de contrato.
Ela entendia que aquela era deixa pra pegar suas coisas e seguir seu rumo, o nó na garganta fazia com que ela se sentisse uma imbecil por amar uma pessoa que a via apenas como uma empregada e nada mais          
Ela entendia que aquela era deixa pra pegar suas coisas e seguir seu rumo, o nó na garganta fazia com que ela se sentisse uma imbecil por amar uma pessoa que a via apenas como uma empregada e nada mais. Mas ninguém escolhe a quem amar!
-Quando você tiver a rescisão, me manda mensagem que marcamos para que eu venha assinar.- Falou rapidamente, não queria denunciar sua voz embargada.
-Esta semana mesmo você assina. Só preciso pedir a minha contadora que feche tudo. - Falou sério.
-Então é isso...-Disse ela se levantando para pegar a pequena mochila e retirar de lá a chave do apartamento dele. Precisava por fim em tudo realmente!
-Você até agora não me explicou o porquê de não querer trabalhar mais pra mim, mas não vou ficar insistindo sobre essa sua decisão...
Ela se voltou surpresa com a fala dele e abriu a boca para dizer algo, mas preferiu não tentar explicar algo pela metade. Não tinha intenção de revelar a verdadeira história, assim que ele pensasse o que quisesse, sair dali era o mais importante naquele momento. Assim ela estendeu a chave do apartamento pra ele.
Darío se levantou primeiro e sua altura a deixava em desvantagem diante dele... O que era 1,73m diante de 1,90m? Pegou a chave da mão dela e olhou Tália em silêncio enquanto guardava o pequeno objeto no bolso da calça jeans rasgada.
-Deixar o seu emprego faz você se sentir melhor? Tudo bem! Ontem você disse que estava com problemas, talvez trabalhar pra mim seja um grande problema pra você!- Falava em um tom amargurado. -Mas como disse não vou insistir nisso.
Ela sentia uma dor que nunca poderia explicar ao vê-lo guardar a chave, assim colocou as alças da mochila em suas costas enquanto comentava baixo:
-Eu sabia que você não insistiria...
Ele esperou que ela colocasse a mochila e quando o olhou nos olhos, Darío perguntou:
-Por que você sabia?!- Perguntou nervoso. -Acho que você pensa que sabe muito sobre mim e no final não sabe nada!- Disse irritado.
Os olhos de Tália mostravam que ela estava em ponto de explodir.
-Eu não ř saber de nada sobre você. Você foi apenas o meu PATRÃO! Empregada não precisa conhecer profundamente o PATRÃO!- Falou nervosa, tentando segurar as lágrimas.
Ele num rompante segurou-a  pelos braços de forma dura, fazendo com que ela o encarasse:
-Todas as vezes que transamos, eu era o seu PATRÃO?! ERA COM ELE QUE VOCÊ ESTAVA TRANSANDO?!- Gritou ele nervoso.
Os nervos de Tália se desmancharam com a atitude dele, fazendo com que rompesse em choro e mesmo assim respondesse:
-Eu ia pra cama com VOCÊ! NUNCA me importei que fosse meu patrão ou não!
Ele a puxou para os seus braços grandes, fazendo com que ela o abraçasse. Aquele abraço fez com que Tália convulsionasse, estava ali se despedindo do homem que amava, do pai da sua filha... Eram tantas emoções que ela não saberia explicar o que sentia. Tudo muito confuso! Já Darío a abraçava como se com isso pudesse consertar qualquer coisa errada que houvesse dito. Tália sem perceber havia entrado de mansinho na cabeça dele e Darío tão acostumado a saber todos os passos a serem tomados, estava perdido diante daquela situação: sentia uma necessidade pelo corpo da empregada completamente diferente do que estava acostumado, não  conseguia entender o que a fazia se afastar dele, e ainda tinha as suspeitas de que o pai da filha dela pudesse interferir na vida de Tália e, consequentemente, na relação entre Darío e ela.
-Se não é importante se sou ou não seu patrão, podemos continuar nos vendo...- Disse baixo junto aos cachos dela.- Não me importo se você trabalha pra mim ou não... Quero ver você sempre! Sei que parece estranho isso, mas é o que sinto agora!- Disse sincero.
Tália não podia acreditar no que ele falava de forma tão pacata junto a ela, tentou se soltar dos braços dele, mas Darío resistiu por alguns segundos. Os dois estavam frente a frente e ela não sabia o quê dizer:
-Você quer continuar me vendo mesmo depois que eu deixar de ser sua empregada?- Perguntou surpresa com a revelação.
Darío levou a mão para os cachos de Tália, acariciando seu rosto:
-A gente não precisa de um contrato de trabalho pra isso... -Brincou. -O tesão, que sinto por você e sei que sente o mesmo por mim, é o suficiente para mantermos encontros quando quisermos...
- Você diz nos vermos, sair...- Tália não estava acreditando que ele propunha algo a mais do que aqueles encontros entre quatro paredes, em que ninguém tinha noção que ele podia estar envolvido com sua empregada.
-Isso... sair, nos encontrarmos, fazer o que todo mundo faz!  A não ser que você não queira que saibam sobre a gente...-A dúvida  voltou a martelar a cabeça de Darío.
Tália sorriu com a sugestão dele. Era mais do que em algum momento da vida ela tivesse sonhado: continuaria com ele e poderia prepará-lo para a grande notícia. Não seria apenas a empregada, seria algo mais. Ele acariciava-lhe o rosto, puxando-a para si.
CONTINUA...

     

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