segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Capítulo 14: A volta ( parte 2)

Continuação...
Tália assustada com a afirmação de Darío se levantou da cama sem desviar o olhar:
- Você só deve estar louco! Não sei de onde tirou isso...- Comentou, abaixando-se para pegar algumas de suas roupas.
-Você não sabe?! A vida é sua, não tenho o direito de me meter, mas quero apenas que jogue limpo comigo!- Disse exaltado, levantando-se como um felino pronto para o ataque.
Tália queria sair dali e dar por terminado aquele conflito louco que havia se criado. Antes ela não tivesse nem sonhado em entrar no quarto, ou melhor, no covil de Darío. Antes ela não tivesse tocado em sua pele. Antes ela não tivesse feito amor, ou melhor, sexo com ele. Porém todas as certezas que tinha se desmoronavam ao mínimo sinal da presença dele. Sentia-se fraca e inconsequente...
-Fica inventando problema quando o maior de todos você que terminou de fazer.
Ele já próximo a ela, ainda nu, não entendia a que se referia:
- Você pode ser mais clara?! Eu estou falando da sua vida com esse outro cara e você me vem com essa de que eu sou o responsável por um problema maior!-Era claro a indignação de Darío.
- A gente transou sem camisinha! Não percebeu isso?! E agora?!- Disse ela correndo para a saída do quarto, mas antes que pudesse passar pela porta, Darío se interpôs.
Os olhos dele estavam mais claros do que o de costume. Certamente, havia se dado conta do erro que cometeu ao ter sido tão afoito e não ter parado para pensar nas consequências.
-Eu estou limpo! Não sou de transar sem camisinha por aí!
-Não duvido! O problema é que eu posso engravidar!- Disse ela surpreendendo a ele com aquela afirmativa.
Darío, surpreso, não se opôs a que ela passasse por ele para fora do quarto. Alguns segundos depois após ter pensado que poderia ter engravidado a sua empregada, a mulher que ele sentia muito tesão por ela, mas que não tinha nenhuma intenção de formalizar algo mais sério e muito menos ser pai naquele momento, Darío foi atrás dela assim que colocou um shorts. Foi direto para o quarto de empregada que estava trancado. Bateu:
-Precisamos conversar, Tália!
Ela ainda atordoada saiu já arrumada para começar o seu dia de trabalho. Queria se mostrar segura:
- Fala! - Disse arrogante diante dele.
-É verdade que você pode estar grávida?Você não toma nenhum tipo de anticoncepcional?- Perguntou num tom calmo, escondendo seu nervosismo.
- Não tomo, o mais seguro para tudo é o preservativo...
- Com relação a doenças pode ficar tranquila que você não correu nenhum risco comigo...A única preocupação é a gravidez. Não tenho planos de ser pai, não quero um filho, não seria um bom pai! Você consegue perceber isso?!- Perguntava nervoso com a possibilidade de ter que assumir aquele papel tão importante de uma hora para outra.
Ela queria ter certeza de que não havia passado nada e assim tranquilizar a ele, mas pelo que havia acontecido na sua gravidez anterior, sabia que era fértil o suficiente para ter engravidado. Com Thauanne bastara ter se relacionado apenas uma vez com o pai da menina para que dois meses depois ter a certeza de que existia um bebê dentro dela. Por isso não podia garantir nada a ele... Também doía saber a aversão que ele tinha de ser pai... Talvez a probabilidade de ter um filho com ELA fosse o que mais o atemorizava. Talvez se fosse com alguma das modelos que ele costumava sair, seria diferente. Aqueles pensamentos foram o que fizeram mentir:
-Se eu estiver grávida, tiro!- Disse magoada e começou a se mover lentamente. Não queria ficar olhando para ele com tantas emoções que dominavam seu ser.
A compreensão daquela frase fez com que ele sentisse uma dor que não esperava:
- Tália...
-Darío, eu preciso trabalhar, já tive muita distração por um dia!- Falou com um nó na garganta.
-Podemos conversar melhor...-Pediu com um tom baixo. Nem ele sabia o que queria seguir conversando, apenas achava que não poderia dar por encerrado aquele assunto.
Ela olhou bem dentro dos olhos dele e com uma força que não sabia de onde tirou, disse:
-Eu nunca vou aparecer com um filho que você não deseja. Pode ficar TRANQUILO! E outra coisa: eu não tenho compromisso com nenhum homem. Não me julgue pelo seu comportamento! Eu NUNCA iria para cama com alguém se fosse envolvida com outra pessoa! E NÃO ME ENCHA MAIS A PACIÊNCIA COM ISSO, PORQUE EU JÁ ME SINTO MUITO MAL POR NÃO CONSEGUIR DAR UM FIM NISSO TUDO!- Explicou com firmeza, deixando-o chocado com cada uma das palavras.
Darío ficou mudo, não sabia como contradizer a ela, sentia-se um menino bobo! Ele ficou olhando Tália começar a trabalhar no apartamento com a cabeça erguida como se estivesse pronta para uma briga caso ele comentasse qualquer coisinha. Não esperava aquela reação dela.
Sem saber como lidar com tudo aquilo, resolveu deixá-la sozinha. Precisava conversar com a mãe sobre Dafne e também necessitava se distanciar de Tália. Toda vez que se encontravam, ele terminava atordoado com os confrontos  e, cada dia mais, não sabia o que se passava consigo.
Darío voltou para o quarto e alguns minutos depois deixou o apartamento e uma Tália à beira das lágrimas.
(...)
No apartamento de Dona Inês...
A mãe de Darío havia terminado de servir um café para ambos e se sentou ao lado do primogênito          
A mãe de Darío havia terminado de servir um café para ambos e se sentou ao lado do primogênito. Dona Inês era uma linda mulher de porte médio, com um largo sorriso e uma beleza impressionante. O filho amava estar com a mãe pelo carinho que existia entre os dois; o que não acontecia  com a irmã caçula. Por mais que muitos anos tivessem passados, a jovem ainda não havia perdoado a mãe por ter escondido a origem deles. E a partir daí muitos conflitos surgiram... Até onde não havia problema a irmã inventava problema; Dona Inês sofria demais com o comportamento rebelde da filha, terminava tendo o filho como um aliado para tentar fazer com que elas pudessem ter uma relação amigável:
-Na próxima vez que você for a Milão, irei junta. Estou precisando espairecer um pouco...-Comentou a mãe.
Darío entendia bem o motivo que a mãe queria viajar.
-Esse desfile surgiu de repente, tudo foi tão rápido que nem pensei em convidar a senhora... De qualquer maneira não fiquei muito por lá.
- Sei... eu ficaria entediada sozinha num quarto de hotel. Bom seria se sua irmã aceitasse ir com a gente...
Darío sentiu o tom triste da mãe ao comentar sobre a caçula.
-Vocês ainda não se resolveram?-Perguntou ele encarando a mãe sério.
Gostaria de poder fazer com que Dafine perdoasse a mãe e pudesse ter uma relação amorosa entre as duas.
-Nada! Estive lá na Nova Holanda, não conversei sobre ela sair de lá. Sabia que se falasse algo, logo começaríamos a discutir, mas dói muito vê-la morando lá...-Disse com os olhos lacrimejados.
-Da última vez que conversei com ela, não resolveu nada, mãe! Mas prometo que esta semana, volto lá e tento convencer àquela cabeça dura. A gente morou lá por tantos anos que pra ela é como se fosse o seu verdadeiro lugar, mas hoje que podemos viver em um lugar mais tranquilo, não dá pra aceitar essa recusa dela...
-Parece que ela recusa a nossa condição financeira. Não entendo realmente...
-Também não entendo! Ela me visitava quando eu morava na Tijuca, até mesmo quando mudei pra Urca ela ainda me visitava constantemente. Desde que comprei o apartamento na Barra que ela não me visita. Isso faz quase três anos. É muito estranho...Fico me perguntando o que há de errado, vivermos melhor?
Dona Inês tentava não se mostrar mais fragilizade do que realmente sentia, mas era impossível não se sentir culpada pelo comportamento da filha... E hoje pensar que ela se colocava em uma situação de risco apenas como uma forma de castigá-la era muito duro.
-E você como está?- Perguntou a mãe, querendo mudar o rumo da conversar. Estava vendo a hora que choraria diante do filho e sabia o quanto isso fazia mal a ele.
-Como sempre: trabalhando muito com Bauti, fazendo alguns trabalhos por fora como esse desfile em Milão...
O filho era bastante batalhador e isso a enchia de orgulho, mas achava que já havia chegado a hora dele buscar um relacionamento sério.
-E quando você vai me apresentar alguma linda namorada? Você sabe que eu das minhas colegas sou a única que não tem netos?!- Brincou a mãe.
Darío rio alto com o comentário de Dona Inês.
-Talvez fosse melhor fazer amizades com mulheres mais jovens, Dona Inês! - Brinca ele. - Assim não ficaria por baixo com relação a ter ou não netos, mãe! Se não quero me envolver com ninguém, quem dirá ter filhos.
-Sei...
A conversa continuou por algum tempo... Darío terminou ficando no apartamento da mãe para almoçar. 



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