Cinco meses depois...
Tália penteava o cabelo de Anne depois do banho enquanto a menina brincava com dois bonecos. A menina era inquieta, mas deixava a mãe pentea-la porque estava distraída com os brinquedos.
-Mãe, por que eu não posso chamar o Darío de tio?- perguntou bem tranquila a menina sem deixar sua brincadeira de lado.
Tália se surpreendeu com a pergunta feita inesperadamente.
Uma vez quando Tula e Henrique foram visitar a família em Madureira, a menina contando sobre o dia anterior que havia passado com Darío e a mãe na praia, chamou-o de "tio Darío" , o que logo Tália a repreendeu dizendo "Ele não é o seu tio!". A irmã até estranhou o crítica de Tália, mas apenas a olhou surpresa e não disse nada.
Em seguida, a mãe explicou a menina que Darío não era tio dela, que apenas tio Bira e tio Henri que eram. Anne entendeu no momento e de imediato voltou ao assunto que contava à tia.
Tália e Darío estavam cada dia mais firme na relação que resolveram estabelecer mesmo sem títulos. E Anne passou a vê-lo sempre. Depois daquele primeiro passeio, ele havia conquistado definitivamente o coração da menina. Já haviam ido à praia, ao teatro e ao shopping, mas o mais divertido fora ir ao cinema com Darío. Vê-lo com um balde enorme de pipocas e aqueles óculos para filmes 3D, fora no mínimo engraçado. O coração de Tália encontrava conforto ao estar com os amores de sua vida juntos, mas sua cabeça não deixava de pensar numa alternativa para começar a contar a ele a verdade... Nos últimos meses, tentara esquecer a grande verdade que escondia, mas não pudera, porque toda vez que os via juntos conversando era como se soubessem que eram pai e filha.
Tia Dolores não a pressionava mais para que contasse tudo a Darío, Tália tinha certeza de que a tia havia conversado com tio Bira e ele aconselhado a ela para que desse uma trégua a sobrinha. O senhor vivia olhando-a com um ar interrogativo, mas diferente da tia, ele se mantinha na dele. Ou talvez por estar se aproximando o julgamento de Tula, os tios estivessem apenas com a cabeça naquele problema.
Tália também não conseguia desligar da situação de Tula, mas tocava a vida como a própria irmã aconselhou. Eles não poderiam deixar de viver normalmente preocupados com ela. Assim foram recuperando a vida aos poucos, mas estava se aproximando o grande dia e isso os assustavam.
-Hein, mãe!- Insistiu a menina, trazendo Tália a pergunta feita.
-Foi o que te disse, Anne. Lembra?Somente tio Bira e tio Henri que você pode chamar de tio...
-O Darío não quer, mãe?
A mãe parou de pentear a menina e respondeu:
- Não é isso, Anne! A gente tem que chamar as pessoas que são realmente nossos parentes.
A menina a encarava e perguntou curiosa:
- Ele não é nosso parente?
- Não, filha!
- Ele então é o nosso namorado?- perguntou inocente.
Tália riu com a pergunta e respondeu sorrindo:
- Ele é o meu namorado, filha. A gente não pode namorar a mesma pessoa. Entende?
A menina se levantou com os brinquedos e disse:
-Mas eu quero ter um namorado também!
-Um dia você vai ter, ainda é muito novinha... Tudo bem?
A menina a encarou e concordou com a cabeça.
- Pode ir brincar com tio Bira no quintal, já terminei de te pentear.-
Tália disse beijando a menina.
Tália disse beijando a menina.
Anne foi em direção a cozinha e do quarto a mãe estou a menina falando com tia Dolores:
-Vó eu tô bonita?!
- Claro, meu amorzinho!
(...)
Darío assistia à corrida de motos na televisão quando o telefone tocou, inclinou-se e retirou o aparelho do gancho sem desgrudar a atenção das motos. Era Gonzalo seu amigo que vivia em Milão, os dois eram amigos há muitos anos. A conversa entre os dois fluiu como sempre e Darío soube que o amigo passaria uns dias de férias no Rio e de imediato o convidou para que ficasse hospedado em seu apartamento. Gonzalo chegaria na semana seguinte para iniciar suas férias. Darío sabia que teria que reservar algum tempo de sua agenda para acompanhar ao amigo, ficaria um pouco complicado por causa da agência e de Tália, já que desde que Tânia e Bauti descobriram a gravidez, os dois quase viviam em função um do outro. E o tempo de Darío era dividido em assumir os compromissos da agência, ver Tália e sempre arrumar um tempinho para sair com ela e a filha. Haviam criado como um hábito levar a menina para passear. Talvez estivesse fazendo mal em se envolver tanto com Thauanne, mas quando deu por si já era parte da rotina deles.
Darío estava tranquilo porque naqueles meses que estava saindo com Tália, os dois resolveram que ela seguiria trabalhando para ele. Não havia lógica ela trabalhar em outro local, tendo que se adaptar novamente a outro ambiente de trabalho e até mesmo como chegar ao lugar, se podia seguir ali no apartamento dele. Não fora difícil convencê-la, ela sentiu como ele começava a se descontrolar com a falta de organização do apartamento, a jovem que a agência mandou para que ele entrevistasse seria apenas para limpar, não sabia cozinhar ou pelo menos não se animava para tanto. Mesmo ele explicando que eram funções distintas, que a alimentação dele era simples e que o valor seria outro. Quando ele comentou com Tália que não queria encher a casa de empregados, pois parecia que perderia sua liberdade, Tália disse que continuaria trabalhando para ele. Assim ela voltou a trabalhar para Darío, fazendo o seu horário e os dois terminavam se vendo todos os dias que ela ia trabalhar. Os horários dele foram organizados para que antes ou depois do trabalho, eles pudessem se ver. Não achava justo ele se dedicar integralmente a agência de modelos enquanto Darío não pensava em outra coisa que não fosse Tânia e o bebê.
Ele sentia que aos poucos Tália se soltava mais com ele. Até mesmo ria com as conversas dele e de Anne. Ela sempre parecia tensa em sua presença, mas estava mudando e isso era bom, muito bom, pensava Darío.
Agora, com a chegada de Gonzalo teria que reformular os horários, seria apenas alguns dias que ficaria complicado para fazer algumas atividades. Esperava que Tália entendesse e, principalmente, Anne. A mãe era bem mais compreensiva do que a filha. Não que tivesse obrigação para com a criança, mas cada dia gostava mais dela e sabia que era importante que tivesse uma boa relaçao com Thauanne para Tália. Sabia que a menina logo expressava descontentamento, já Tália não era de falar muito o que pensava. Guardava tudo e se distanciava apenas! Isso sempre o incomodou... Desde que ela fora trabalhar para ele e havia surgido aquele desejo louco entre os dois, que havia sentido aquele incômodo, por isso sempre achou que talvez se ela deixasse de ser sua empregada, poderiam ter um diálogo mais aberto, mas não funcionara. Descobriu que ela era assim: fechada!Então nunca sabia claramente se estava agradando ou não. Apenas via um brilho em seu olhar quando o via com Anne.
Darío havia conversado com sua mãe sobre essa personalidade de Tália quando Dona Inês pedira para conhecer Anne. Acreditava que enquanto Tália não o apresentasse a família dela como alguém mais do que seu patrão apenas, não poderia levar a mãe para ter contato com Tália e Anne. Desde que os dois estavam vivendo aquela relação, Tália não o convidara para entrar na casa dela, uma ou outra vez cumprimentara o tio de longe, porque quando ia buscá-la o senhor estava no quintal com suas gaiolas de passarinhos. Aquela situação já o estava incomodando, esperava um bom momento para saber quando o convidaria para entrar em sua casa... Já ouvira falar sobre Tula diversas vezes por boca da menina, mas era como se a irmã não existisse para Tália, pois não comentava nada sobre ela. Tudo muito estranho!
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