Os suspiros e gemidos de Tália ressoavam por todo quarto do motel. Ela por cima do corpo de Darío, cavalgando-o sobre seu olhar excitado, as mãos dele deslizavam pelos seios fartos, quando ele abocanhou um de seus mamilos, a amante quase que desfaleceu de paixão. Darío acelerou o movimento de seus quadris de encontro ao sexo dela até que os dois quase que, concomitantemente, atingiram o auge do prazer.
(...)
— E você não comentou o que está te deixando nervoso?— perguntou ela depois que tomaram banho e já estavam prontos para saírem.
"Darío havia ido buscar a Tália próximo a agência de trabalho como haviam combinado. Era evidente a necessidade que tinham de ficarem num lugar mais íntimo, assim ele sugeriu um motel e logo ela aceitou. Durante o caminho ela comentou que havia resolvido que iria a uma entrevista no Méier. Era para trabalhar na limpeza de um shopping em Guadalupe. Pelo que foi dito o trabalho era pela noite depois que ele fechasse. Darío se manteve em silêncio por alguns minutos e depois perguntou:
— Você acha que vale a pena trabalhar assim? Guadalupe é bem perigoso e isso de trabalhar à noite acho bem complicado...
—Também estou achando que não vai ser bom ficar fora de casa nesse horário por Anne, e tia Dolores ficaria muito preocupada..."
—No caminho conversamos...— disse ele esperando que ela saísse do quarto.
(...)
— Já tenho a sua rescisão e o seu cheque, mas antes que você assine, gostaria que considerasse a possibilidade de continuar trabalhando pra mim. Sei que nós não sabemos lidar com esse tipo de relação de dependência, mas meu apartamento está um caos!— explicava ele sério.
Tália sabia que o apartamento estar um caos era exagero dele, mas entendia que para um homem como Darío louco por organização e limpeza, realmente aqueles poucos dias sem empregada era terrível.
—Não quero uma resposta agora, você tem o tempo que necessitar pra pensar...E realmente acho que esse trabalho no shopping é uma furada.
Quando ele já estava próximo a casa de Tália, surpreendeu-lhe com o convite:
—Podíamos nos ver sábado. Você traria a sua filha e podíamos fazer algum programa em que ela se divertisse.
O coração de Tália quase parou ao escutá-lo, não podia acreditar que um dia ele gostaria de sair com Anne. Primeiro porque estavam começando um relacionamento sem títulos; segundo, que ele nunca se mostrou um homem que tivesse interesse em ter uma relação familiar com qualquer mulher, apenas sexo; e terceiro e último, será que ele saberia lidar com uma menina com quase cinco anos?
Como ela demorava para responder, Darío comentou:
—Se você acha muito cedo para que eu tenha contato com a sua filha, eu vou entender!
—Não! Não é isso! —respondeu rapidamente com medo que ele se sentisse excluído — é que sábado já tenho compromisso com Anne e meus tios, combinamos de ir a casa da minha irmã...
Era verdade que ela, Anne e os tios iriam a casa de Tula. A menina estava mais do que animada para ir a casa dos tios. Tanto Tula quanto Henrique mimavam a menina de uma forma que Tália algumas vezes achava que poderia ser ruim pra educação da filha, não queria que a menina acreditasse que poderia ter tudo que quisesse. A vida era difícil!
— Não há problemas, nos encontramos domingo então! Você me diz o que ela gosta de fazer e resolvemos pra onde levá-la.
Tália sorriu ao imaginar a menina fazendo o que gostava com o pai.
— Ela gosta de shopping, de praia, circo...Anne gosta mesmo é de bagunça!— disse sorridente.
—Até domingo vemos o que faremos, ligo pra você no sábado à noite e marco uma hora pra vim buscar vocês.
Ela concordou e sorriu sem jeito. As coisas entre eles estavam mudando tão rapidamente que não sabia o que esperar. Tudo se encaminhava como ela um dia sonhou e não podia acreditar: estava se encontrando com o homem por quem era apaixonada e como quase uma namorada, ele pedia para passar um tempo com a filha deles, apesar de não saber do fato. Pelo menos uma vez na vida estariam como uma família. Talvez o coração não aguentasse de tanta emoção!
(...)
Almoço de sábado...
Todos sentados à mesa conversando, enquanto Tula comia prestando mais atenção em Thauanne. Era evidente para Tália que a irmã não era mais a mesma depois de tudo que havia acontecido. Percebia uma tristeza grande nela, era compreensível!
— Eu quero sorvete, mamãe!— pediu Anne.
— A gente não sabe se tia Tula tem sorvete, Anne!— explicou Tália.
—Claro que temos! — disse a tia —Havia acabado, mas como sabemos que a nossa Anne gosta de sorvete, ontem compramos!— explicou Tula.
Henri se levantou sorridente da mesa, dizendo:
—Sorvete de chocolate? É pra já!— disse indo para a cozinha.
Tula e Henri tinham empregados, mas desde que tudo havia acontecido, preferiam viver sozinhos nos finais de semana e feriado. Pelo que tia Dolores havia dito, os dois passavam por problemas no casamento mesmo antes do crime que Tula havia cometido, mas resolveram tentar resolver qualquer problema que tivessem antes do julgamento. Assim passar um tempo sozinhos era uma maneira de buscar a reconciliação. A família esperava que os dois se resolvessem qualquer que fosse os problemas que existiam entre eles, afinal era evidente o amor que havia entre ambos. Fora que Henri era muito querido por toda a família.
— Tia Tula, amanhã vou bem sair com a mamãe!— disse animada.
Tália ainda não havia dito que iam sair com um homem. Thauanne nunca havia visto a mãe com um namorado, assim que esperava que a menina entendesse aos poucos que havia algo entre Tália e Darío. Não queria que a menina fizesse cenas de ciúmes, apesar, de não ver a filha fazendo isso já que nunca demonstrou ciúmes da mãe.
— Que bom, amor! Vocês vão pra onde?— perguntou Tula descontraída.
— Mamãe, onde a gente vai?
Os tios olhavam para Tália. O olhar de tia Dolores era o mais curioso, afinal a sobrinha não havia comentado nada sobre sair com Anne no dia seguinte e sempre comentava tudo. Tia Dolores já sentia que algo relacionado ao pai da menina tinha a ver com aquela omissão.
— Ainda não me decidi...— Tália não gostava de mentir, mas achava que não era o momento para dizer a família que iria sair com Darío. Os demais não sabiam que ela tinha um caso com o ex-patrão e muito menos sobre a paternidade de Anne , mas tia Dolores sim...
— Que bom que vão passear amanhã! — disse a tia com um olhar desconfiado.
Tália estava tensa e Tula percebeu, assim disse alto:
— Henri onde está o sorvete?
Henri respondeu da cozinha:
— Preciso de ajuda pra levar as coisas pra aí!
Tio Bira logo se prontificou em ajudar:
— Estou indo ajudar você, meu filho!
Assim que tio Bira foi pra cozinha, tia Dolores se voltou para Tula:
— E como vocês estão, filha?
Tália respirou aliviada pela tia ter sua atenção desviada, mas sabia que teria que contar a ela sobre a saída do dia seguinte.
— Estamos fingindo que nada aconteceu...
— Viver de mentiras não tem futuro, filha!
Tula sorriu triste concordando e Tália entendeu a indireta da tia.
Quando Henri e tio Bira voltaram para a sala de jantar, Thauanne se animou ao ver os potinhos com os sorvetes.
— Sorvete, Sorvete! — dizia a menina animada.
Os adultos riram da animação da menina.
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