Segunda-feira...
Tália já estava se arrumando para ir embora do trabalho. Não havia visto Darío naquele dia, mas na hora do almoço ele ligou para saber como ela estava e explicou que talvez não pudesse encontrá-la por havia muito trabalho por fazer na agência. Pediu a ela que preparasse o quarto de hóspedes para o amigo Gonzalo que chegaria ainda naquela semana. E fora isso que Tália fizera depois do almoço, como Darío não tinha o dia preciso para a chegada do amigo, preferiu deixar tudo pronto logo. No dia seguinte, faria compras para deixar comida para os dois...
Ela já estava se saindo do prédio quando Darío estacionou no meio-fio e desceu da camionete para se aproximar dela:
-Consegui chegar antes de você ir.-comentou com ela, inclinando-se para beijá-la na calçada.
Ela recebeu o beijo e assim que ele voltou a encará-la, disse:
- Pensei que não nos veríamos hoje...
-Também pensei, mas já estava me estressando tudo que tive que resolver hoje. Preferi deixar pra terminar amanhã e queria te ver.-explicou com um sorriso.
Tália imaginou que ele ia pedir para voltarem para o apartamento, ela até gostaria, mas havia combinado com a tia de ela passar para buscar Anne.
-Tenho que buscar Anne na escola, já combinei com a minha tia.
-Bom, ele levo você e buscamos ela. Depois podemos ir fazer um lanche...
Tália sorriu com o convite e concordou com a sugestão, os dois se voltaram para a camionete e entraram.
Assim que Darío deu a partida, começou a explicar como seria seus próximos dias:
-Gonzalo deve chegar na quarta ou na quinta, não sei ao certo. O que sei é que nesses próximos dias será complicado para ficarmos juntos e, talvez, eu não consiga um tempinho para passearmos com Anne.
Tália sorriu feliz por ver a importância que ele dava à Anne:
- Não se preocupe, Darío. Quando seu amigo for embora, levamos Anne em algum lugar divertido...
-Isso que pensei. Porque com o Gonzalo aqui terei que fazer companhia a ele e não vai rolar passeios infantis.
Algo no consciente de Tália se despertou com aquele comentário. Havia presenciado as festas que Darío com seus amigos faziam antes...Nada tinha a ver com crianças. Não conhecia o amigo que chegaria, mas, certamente, ele gostaria das tais festas que o anfitrião costumava organizar.
- Ele já conhece o Rio?- perguntou ela contendo a vontade de saber o que Darío pretendia fazer com o amigo para se distrair.
-Conhece, já esteve aqui diversas vezes...
O medo de Tália crescia porque certamente pontos turísticos o tal amigo não precisaria visitar, já que conhecia a cidade.
-Entendo...
- Você vai gostar dele. É muito gente boa...
Ela sorriu sem graça.
(...)
Tália e Anne caminhavam de mãos dadas até a camionete estacionada. Darío as esperava dentro do carro e admirava as duas que conversavam alegremente. Em pouco tempo, ele se acostumara a ter uma criança no meio de um relacionamento e sentia um carinho pela menina que o impressionava.
Tália abriu a porta de trás do carro e acomodou a filha na cadeirinha que Darío havia comprado.
-Oiiii, Darío! -cumprimentou a menina alegre.
-Oi, Anne. Como foi na escola?- Perguntou ele se virando para falar com a menina.
- A tia brigou comigo porque eu gritei com o Gustavo!
- Anne não pode gritar. O que eu e a tia já falamos, filha?- retrucou Tália olhando de forma severa para a menina.
-Mas mãe... ele disse que eu era namorada dele!
Darío arregalou os olhos surpreso com o comentário da menina. Já havia percebido que Anne falava como se fosse uma adulta, mas ainda assim se surpreendia com ela tinha desenvoltura para se comunicar.
-E o que a mamãe disse ontem ?- relembrou a mãe.
- Que o Darío não pode ser o meu namorado e nem o meu tio! Eu disse pro Gustavo que sou muito menina pra namorar!- falou cruzando os bracinhos com convicção.
A explicação da menina incomodou a Darío. Não esperava que Tália proibisse a filha de chamá -lo de "tio"! Nunca havia tido tanto contato com o filho de um mulher com que ele saísse, mas pelo que observava no dia a dia era ser normal a filha da namorada chamar o namorado da mãe de tio. Será que Tália não o levava a sério o suficiente para deixar que Thauanne o chamasse de tio? Ficou com o ego ferido.
-Isso aí! Quando chegar em casa vou ver se a tia mandou algum bilhetinho sobre a senhorita...
-Mandou não, mamãe! Eu sou boazinha...
- Sei...
(...)
Darío as levou para o Norte shopping, foram a uma lanchonete, em que o que mais interessava à menina era o brinquedinho do lanche. Enquanto comiam, Darío ria das estripulias da menina. E quando percebeu que ela estava um pouco mais tranquila, fez questão de comentar:
-Esta semana, não poderemos passear porque um amigo meu vem me visitar, mas semana que vem a gente passeia pra onde você quiser. Deixo que você escolha. Tudo bem?- perguntou a ela.
-Vem de onde?- pergunto a menina concentrada no refrigerante.
-De um lugar chamado Milão...
- Melão?
Darío gargalhou, Tália corrigiu a menina:
- Milão, filha! Melão é uma fruta.
-É longe?
- Um pouquinho...-Respondeu ele.
-Ahhh tá!
Logo ela voltou a se concentrar no brinquedo novamente. Darío se voltou a Tália e perguntou:
- Você avisou a sua tia que iríamos comer algo? Porque ela pode estar preocupada...
- Quando você foi comprar o nosso lanche, liguei pra ela. Assim ela não se preocupa e não deixa o jantar pra gente...
Darío sabia que a menina estava concentrada na brincadeira e por isso resolveu inquerir Tália:
- Não entendi o porquê ela não pode me chamar de tio. O que tem de mal ?
Tália se surpreendeu com a pergunta e com o olhar sério de Darío. Não esperava que ele tivesse prestado atenção naquele comentário da menina, aliás, não esperava que isso o incomodasse. Darío não era aquele tipo de homem!
Antes que Tália começasse a falar, Anne tomou a frente surpreendendo aos dois que pensavam que ela não estava focada na conversa deles:
- Você não é o meu tio. Só posso chamar o tio Bira e o tio Henri de tio porque eles são da nossa família, não é mesmo, mãe?!
Tália não sabia o que responder para um Darío sério esperando uma resposta e um Anne que já havia se voltado novamente para o brinquedo.
Tália riu sem graça e se concentrou em Darío:
- É complicado para ela entender quem é família, quem não é, por isso que disse isso. Espero que isso não o incomode...
Darío estava mais incomodado do que ele próprio esperava, mas podia imaginar que era complicado para uma mãe solteira criar seu filho. Assim fora com sua mãe até que descobriram a paternidade dele e da irmã. Mas mesmo assim se sentia excluído e isso o irritava.
- Não me incomodou. Fiquei curioso apenas. -mentiu.
(...)
Anne já havia entrado no quintal da casa quando Tália voltou para a camionete para se despedir de Darío. Ele ficara silencioso depois da conversa na lanchonete e ela não entendia o porquê.
-Então amanhã vou fazer umas compras pra deixar a geladeira com o que você vai necessitar para receber seu amigo. Também quero deixar algumas comidas congeladas para vocês.- explicava ela sem se dar conta do olhar sério dele sobre ela.
Darío havia soltado o cinto de segurança e estava de lado no banco do carro voltado para ela, prestava atenção em tudo o que ela dizia, mas não escutava nada. Seus sentidos estavam todos concentrados na boca de Tália enquanto ela explicava... Não gostava de se sentir excluído da vida dela, a vontade que tinha era levá-la dali naquele minuto e fazê-la gozar durante toda a noite. Talvez fosse infantilidade de sua parte, mas sentia que ela realmente estava envolvida por ele apenas quando estava em sua cama. Fora dali, ela se distanciava.
-Darío, você está me escutando?
- Como?
-Queria saber se você tem sugestão de alguma comida para que eu faça amanhã...
-Estou pouco me fodendo com o que você cozinhe, Tália. O que eu quero mesmo é essa sua boca!- Mal terminou de fala e enfiou os dedos nos cachos dela, puxando-a para si.
Os lábios dos dois se tocaram com intensidade, a boca grande dele quase que engolia Tália. Ele a pressionava junto ao seu corpo, apenas, puxando-a pela nuca. A fome que ele sentia por ela, inflamou Tália que correspondia a voracidade daquele beijo. Os dois roçavam suas línguas com muito desejo...Ela levou os braços para os ombros de Darío e o abraçava desejosa. Quando ele a soltou por alguns segundo, escutou-o dizendo bem próximo a boca dela:
-Quero foder você à noite toda, Tália!
- Eu preciso entrar...Também queria passar a noite com você, mas agora é impossível...- Disse ofegante.
-Imagino que Anne já esteja curiosa para saber porque não entrou...- Disse tentando controlar o desejo que sentia.
-Verdade...
- Eu vou deixar você descer, mas amanhã na primeira hora que você chegar, estarei esperando... Vou passar a manhã toda com você!
Ela sorriu com a promessa é concordou com a cabeça, levando os lábios para os dele novamente.
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