Continuação...
Tália o encarou, sabia que não estava pronta pra lhe revelar nada sobre a filha. Queria ter segurança para quando tudo viesse à tona, enfrentar e proteger Thauanne de qualquer sofrimento.
Ela voltou a atenção para Darío e comentou:
-Eu já falei sobre Anne. Sou mãe solteira... é uma produção independente.
Ele voltou a tomar mais um pouco do chope sem deixar de encará-la.
-Verdade... mas não vou negar que fiquei sem entender como você nunca comentou nada sobre sua filha nesse tempo todo que você trabalha comigo. Normalmente, as mães tem foto de seus filhos na carteira, no celular... e sempre falam deles...
Tudo que Darío dizia era verdade, mas ele não tinha a mínima ideia que durante todo aquele tempo ela sufocou o seu lado de mãe babona para não correr o risco dele suspeitar de qualquer coisa a respeito a ele e a Anne.
-Eu tenho fotos de Anne no celular. Aqui...- Disse ela pegando o celular e mostrando algumas fotos da filha.
Darío olhava as fofos sendo passadas e até dava pequenos sorrisos diante de alguma poses engraçadas da menina, mas desviou o olhar para Tália e perguntou:
-O pai realmente não se envolveu na criação dela?
Era evidente que Darío queria saber sobre o homem com quem Tália havia tido a filha. Ela resolveu cortar a conversa antes que explodisse:
-Eu não gosto de falar sobre meu passado!-Decretou com a cara fechada.
Darío entendeu que até ali era o limite e mudou de assunto:
-Vou pedir ao garçom mais uns bolinhos de bacalhau pra você levar pra sua tia.
Ela se assustou com o oferecimento e disse:
-Não precisa!
-Você não disse que sua tia ia gostar?
(...)
Tália e tia Dolores tomavam café na sala comendo os bolinhos que Darío havia comprado pra tia.
-Então você não contou pra ele...- Repetia a fala da sobrinha.
Tália se sentia pressionada, mas não podia dizer que a tia estava errada, apenas queria que ela entendesse e aceitasse o seu tempo.
-Não, mas vou contar, tia. Preciso de tempo pra preparar o terreno...Não dá pra do nada contar pra ele...
Dona Dolores olhava séria para o sobrinha, a cara dela já dizia o quanto estava aborrecida com toda aquela situação, mas depois que havia desabafado com o marido e sido tranquilizada por ele, estava decidida a diminuir a pressão que vinha colocando em Tália.
Segundo senhor Bira, a jovem era dona de sua própria história e tinha que amadurecer com a vida. Não podia fazer as coisas certas de acordo com o que a tia dizia, mas sim por sua própria consciência. Que a tia continuasse orientando e apoiando, mas que deixasse a jovem resolver aquele problema sozinha.
E assim Dona Dolores estava se esforçando para não seguir pressionando a sobrinha:
-Queria muito que tudo ficasse esclarecido pro seu bem e da Anne, mas você deve saber o que é está fazendo ...
Tália emocionada pela confiança recebida da tia, levantou-se da cadeira e a abraçou, dizendo:
-Obrigada tia! Muito obrigada por tudo!- Disse já com lágrimas nos olhos.
-A gente sempre estará do seu lado, filha.- Consolou a tia.
As duas são interrompidas por Anne curiosa:
-Por que a mamãe tá chorando?
As duas se soltaram e sorriram sem jeito pra menina curiosa.
-Porque a mamãe ama a tia Dodô! -Disse Tália.
-Eu amo a vovó também e não choro. Choro vovó?!
Tia Dolores se levantou e beijo a menina na cabeça, dizendo:
-É porque sua mãe é uma bobona, por isso ela chora. Lembra que a vovó disse que não é pra ficar chorando à toa? Então...
Tália querendo distrair a menina estende um bolinho pra menina:
-Já terminou o seu bolinho? Aqui outro.
A menina recebeu e já ia saindo pra sala quando a mãe disse:
-Leve esse pro vovô.
Thauanne levou o seu bolinho e o do senhor Bira como se estivesse levando algo extremamente precioso.
-Essa menina não perde nada!- Comentou a tia sorrindo.
-Eu ia terminar de explicar, mas não deu com Anne chegando. Eu não vou trabalhar pra ele mais, resolvi que não ia dar certo mesmo seguir trabalhando lá e terminamos nos acertando.
-O que você chama de "nos acertamos "?
-Vamos nos conhecer a partir de agora. Foi ele que mandou os bolinhos pra vocês, ele me trouxe, mas não convidei pra entrar. Queria preparar a senhora primeiro.
-Então estão namorando?
-Não colocamos nome no que temos, tia. Vamos nos ver de vez em quando e quem sabe daí chegamos a algo sério...
-Mas isso de se ver não é a mesma coisa de namorar? Seu tio e eu começamos a namorar assim...
-Hoje as pessoas vão com mais calma. Não gostam de dar nomes as relações, tia. Não quero forçar nada também...Eu gosto dele, ele é o pai da minha filha, até ontem era o meu patrão... sei lá...é muita coisa junta. Vamos com calma, se eu perceber que ele gosta realmente de sair comigo, que está realmente envolvido comigo, vamos falar sobre namoro. É aí vai ser mais fácil falar sobre a Anne.
-Se você acha...
(...)
Três dias depois...
-Alô.
-Oi, Darío. Tudo bem?
-Mais ou menos...
-Aconteceu alguma coisa?- Perguntou ela curiosa.
-Não quero falar sobre meus problemas, liguei pra saber como você está.
-Estou bem. Com um pouco de calor, mas já já volto pra casa e me refresco.
-Você está onde?
-Na agência, aqui na Avenida Rio Branco.
Ele ficou em silêncio por alguns minutos e comentou:
-Também liguei pra dizer que podemos resolver já o negócio da sua rescisão... Podemos nos ver hoje ou amanhã, assim você assina e pega o cheque. Depois podíamos sair pra tomar alguma coisa por aí...
-Vamos deixar pra amanhã então, porque daqui vou no endereço que a agência deve me passar. Aí quero resolver logo isso pra semana que vem já começar a trabalhar...
Darío respirou fundo e disse:
-Você está na agência de trabalho?
-Isso...
-Pensei que era outro tipo de agência. Não prefere resolver comigo hoje sobre a sua rescisão e depois ver outro emprego?
-Eu já estou aqui na agência, só estou esperando a minha vez de ser atendida...
-Então pega o endereço, mas marca pra semana que vem a sua ida na casa do contratante. Aí eu te encontro e resolvemos tudo direitinho...
Ela pensou por alguns segundos e terminou concordando:
-Tudo bem!
-Quando você sair daí me avisa, estou indo pro centro e te pego mais tarde.
Ela pensou em dizer que não precisava dele buscá-la, mas queria resolver logo a questão da rescisão con ele.
-Então quando estiver saindo daqui mando mensagem.
-Ok, estou pegando o carro agora. Até daqui a pouco. Beijo.
-Beijo...
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