Continuação...
-Não precisa!- Disse ela saindo do quarto dele com suas roupas envolvidas nos braços.
Darío se levantou e ficou olhando Tália ir rápido para o outro banheiro. Ela nunca havia tomado um banho na suíte dele. Ele não havia percebido isso até aquele momento, mas isso não era importante... O importante era levá-la a casa, não havia necessidade de deixar que pegasse condução se ele podia levá-la a uma hora daquelas. Com esses pensamentos, Darío correu para o banheiro para se desfazer do preservativo usado e vestir sua roupa antes que ela saísse do apartamento dele. Assim quando chegou a cozinha, Tália ainda não havia chegado, escutava a empregada no banheiro. Pegou uma garrafa de iogurte e colocou um copo para ele, tomando calmamente até que a escutou entrando na cozinha já com sua bolsa a tiracolo:
-Quer um iogurte ou prefere comer algo?
- Não, não. Já estou indo...
-Eu vou levar você. NÃO SEJA TEIMOSA!- Falou decidido.
-Já disse que não preciso que me leve!- Contrariou ela novamente.
Ele pegou a chave da caminhonete e olhou firme com seus olhos verdes acinzentados. Não entendia o porquê da negação dela, quem não gostaria de receber uma carona ao invés de pegar transporte público... Apenas se tivesse outros planos durante a viagem até sua casa. A cabeça de Darío dava voltas ao tentar imaginar o que poderia fazer com que ela não aceitasse sua carona.
Ela o vendo em silêncio começou a se encaminhar para a porta até escutá-lo.
-Eu já disse que vou levar você!-Disse novamente e seguiu a empregada.
-Eu não preciso que me leve, já estou acostumada a pegar ônibus e o BRT sem problemas, Darío!
-Você já olhou a hora?
Não era tão tarde assim, mas era mais tarde do que ela costumava sair do trabalho. Já era quase às nove da noite... Ela havia ficado até mais tarde em função de que nos próximos dias ficaria em casa já que ele viajaria, mas não imaginou que ele chegaria e os dois, novamente, se envolveriam na paixão que os consumiam.
Tália parou no corredor apertando o botão do elevador e se virou para ele:
-Não tem necessidade de você ir me levar.
Darío começava a suspeitar de que havia algum motivo para que ela não quisesse que ele fosse até a casa:
-Você tem algum namorado,Tália?!- Perguntou sério como se tivesse o direito se saber sobre a vida dela naquela altura do campeonato.
Tália sentiu vontade de rir da pergunta, mas percebeu que rir na cara de Darío seria arrumar um confusão desnecessária naquele momento.
-Não tenho!
-Você tem certeza?!- Perguntou novamente com ar desconfiado, olhando fixo para ela, querendo buscar alguma resposta no seu olhar.
Os dois, que se olhavam não entendendo o que via no olhar do outro, foram surpreendidos pelo sinal do elevador abrindo as portas.
-Que pergunta é essa agora?!
-A pergunta que parece que você quer fugir!
-Eu já disse que não tenho ninguém! E não estou com tempo para ficar discutindo com você!- Falou ela entrando no elevador.
Ele entrou também e logo apertou o botão para a garagem:
-Se você não tem namorado ou nenhuma relação com alguém, então não tem ninguém que se incomode de que eu a leve! - Disse decidido ao lado dela sem olhar novamente para ela.
Darío sabia que existia algo por trás daquela negativa, descobriria quando voltasse de Milão. Naquele momento, o que importava era levá-la. Ela não sabia como reagir diante daquele Darío solicito. Se a situação deles fosse outra, não teria problema, mas parecia que não havia como demovê-lo da decisão de levá-la. Preferiu não insistir! Acompanhou o patrão pela garagem e parou ao lado do carro dele. Ao entrar, escutou ele falando:
-Sei como chegar a Madureira, quando chegar lá você me explica o caminho para sua casa.
Ela concordou com a cabeça e esperou que ele desse a partida do carro. Tália o olhava sem poder acreditar que ele a levava para casa e que de novo...
-Coloque o cinto de segurança!- Disse Darío interrompendo os pensamentos dela.
-Ah...Havia me esquecido. - Confessou ela.
Darío dirigia com muita prudência, mas sempre desviava o olhar para Tália ao seu lado.
- Você já pensou em fazer alguns trabalhos como modelo?- Perguntou ele.
Tália riu da pergunta e disse:
-Você está brincando? Com esse corpo, que agência me contrataria?
Apesar de não acreditar ter chances no mundo da moda em função de ser tida como gorda, sabia que havia uma moda plus size. Até mesmo sua irmã e cunhado sugeriram que ela fizesse alguns trabalhos com eles. Quantas vezes Henrique, seu cunhado, não havia convidado a ela para participar de alguma campanha que eles estavam desenvolvendo? Muitas vezes! No fundo o grande problema de Tália era a pouca confiança que tinha em si mesma. Para todos ao seu redor era uma mulher confiante e dona de si mesma, mas lá no fundo sabia que aquela imagem fora criada para esconder a verdadeira Tália: insegura!
-Você sabe que existe a moda plus size?! Até mesmo a minha agência poderia negociar alguns contratos para você.
Ele não imaginava que ela nunca havia pensado sobre o assunto. Era uma linda mulher e, tranquilamente, poderia fazer parte de um staff de qualquer agência de modelo plus size ou até da sua própria agência. Não custaria nada conseguir alguns trabalhos para ela... Ao mesmo tempo que tivera aquela ideia de fazer com que Tália trabalhasse como modelo para sua agência, Darío tinha certeza que não gostaria nada de vê-la em um outdoor por aí. Sabia bem como os homens pensavam!
Ela se voltou para Darío e o encarava enquanto este continuava conduzindo como se pensasse sobre as próprias palavras!
-Darío, eu agradeço, mas não tenho intenção de ser modelo! Gosto de trabalhar como empregada doméstica.
Ele que parecia não prestar atenção em Tália, terminou por concordar com ela:
-Ok! Você tem razão...
Aquelas palavras foram como se confirmasse para Tália que não era, realmente, bonita. Havia crescido sempre com aquele conflito de ter uma irmã e prima com belíssimos corpos, enquanto, ela precisava aceitar a si mesma. Tula, mais atenta aos seus problemas, costumava mostrar a ela o quão linda era. Tália dizia concordar, mas tudo era para que a irmã não continuasse preocupada. Claro que hoje com seus 26 anos se sentia bem mais segura e confiante, mas ainda estava longe de ser o que sua imagem demonstrava. Para TODOS ela era senhora de si mesma!
(...)
Alguns bons minutos depois...
-Você vira a direita e pode parar na praça...-Disse Tália.
-Você vai ficar na praça a essa hora?!- Perguntou ele surpreso.
Tália não sabia o que dizer, não confessaria que não queria que sua família soubesse que foi de carona para casa e nem correr o risco que eles o vissem:
-Vou passar em um outro lugar antes de ir pra casa...
Darío não conseguia entender que tipo de desculpa era aquela e mais uma vez suas suspeitas recaíram em algum envolvimento que talvez sua empregada tivesse. Ele fez o que a empregada pediu aborrecido. A raiva se apossava dele, fazendo parar a caminhonete e nem olhar para Tália para se despedir. Ela não lhe devia fidelidade, mas ele achava que pelo menos sincera deveria ser com ele, como ele sempre fora com ela!
Tália segurou a bolsa nos braços e olhou para ele e vendo que não a encarava, despediu-se:
-Obrigada pela carona e boa viagem.
Darío não disse nada e também não a olhou, deixando-a constrangida:
-Tchau ...- Disse Tália saindo do carro.
O patrão continuou parado com o carro naquela praça, olhando-a se distanciar. Realmente algo acontecia para que ela não quisesse ser vista com ele. Provavelmente, morasse com algum homem... Procuraria saber com sua contadora Dafne, sua irmã, se havia nos documentos que Tália havia entregado para que fizesse o seu registro na carteira algum indício de que ela vivia com alguém. Algum homem! Afinal qual mulher não gostaria de ser vista com ele? De ser levada em casa? Todos esses questionamentos fizeram o humor de Darío permanecer péssimo. Iria viajar para uma das cidades mais linda do mundo, onde possuía vários amigos e "amigas", mas a raiva que crescia em si não ajudaria que ele aproveitasse sua curta estadia em Milão!
Nenhum comentário:
Postar um comentário