sábado, 8 de setembro de 2018

Capítulo 5: Rebeldia

Sábado à tarde...
Darío terminava de entrar em seu apartamento. Havia ido a casa da irmã na Nova Holanda, como planejou e teve uma conversa séria com ela. Dafine era uma mulher complicada e sempre era difícil fazer com que ela entendesse o lado dele ou da mãe deles. Parecia que ela já estava armada sempre para dizer NÃO.
Entrar na favela não era tão difícil,  porque havia sido criado ali e era um ex-morador ilustre pela fama que havia feito nas passarelas internacionais. Por várias vezes sua imagem fora estampada em outdoor por todo o mundo ou fora entrevistado pela mídia brasileira por sua história de vida. Assim que sempre era bem recebido pelos moradores do seu antigo bairro.
Passou a manhã com a irmã até tomou banho de mangueira no quintal devido ao calor que fazia e depois almoçou em sua casa, tudo estava em paz até ele começar o assunto que fora tratar     
Passou a manhã com a irmã até tomou banho de mangueira no quintal devido ao calor que fazia e depois almoçou em sua casa, tudo estava em paz até ele começar o assunto que fora tratar. Dafine, como ele e a mãe esperavam, não queria voltar a viver com a mãe na Zona Sul do Rio e também não aceitou ir morar com ele na Barra da Tijuca. Até mesmo recusou que ele alugasse um apartamento em outra parte do Rio, não queria que sua irmã caçula continuasse morando ali. Gostava de visitar os amigos, mas saber da irmã ali o incomodava em muito. Depois de uma severa discussão, pegou a caminhonete e foi para seu apartamento extremamente indignado com a birra de Dafine.
Estava agitado pela discussão, mas deixaria que a irmã acabasse com o seu sábado. Assim se banhou e trocou de roupa, indo dar uma volta no bar que costumava frequentar com os amigos e amigas.
(...)
Domingo pela manhã...
Tália estava tomando o seu café da manhã com os tios quando escutou o celular tocar.
-Nem domingo pela manhã as pessoas respeitam mais!- Criticou tia Dolores.
Tia Dolores com uma cara fechada foi até o fogão pra buscar o leite, Tália se inclinou para o armário e pegou o celular. Quando olhou o visor do aparelho, viu que era Darío. Levantou-se da mesa e foi para sala atender o telefonema:
-Alô!
-Oi,Tália! Sei que está muito em cima, mas recebi uns amigos ontem e meu apartamento está bem bagunçado...
Os olhos de Tália reviraram, sabia que isso de "receber uns amigos" eram festas regadas de muita bebida e mulheres.
-Sei...- Falou ela fingindo indiferença.
-Então... gostaria que você viesse hoje para colocar tudo no lugar. Não consigo viver na confusão que está aqui...
-Darío, já tenho compromisso para hoje...-Mentiu ela, ou melhor, disse meia verdade. NÃO queria continua indo nos dias que ela não trabalhava lá, principalmente,porque sabia o que havia gerado a bagunça que ele reclamava.
-Eu imagino que sim, mas, como já conversamos, melhoramos o valor extra...
-Sei...mas é domingo e...
-Podemos ver então para você não vim algum dia durante a semana sem alterarmos no seu pagamento. Apenas quero que meu apartamento volte a ordem HOJE!
Tália sorriu por sentir no discurso dele o desespero por ter o lugar limpo e organizado. Ela nunca havia conhecido uma pessoa tão problemática com a organização e limpeza quanto ele.
-Desculpe, Darío,mas não vai dar!- Disse com um sorriso imenso no rosto.
-Porra, Tália! Eu preciso desse apartamento limpo HOJE!- Falou de forma arrogante.
A empregada não queria se exaltar com ele pelo telefone, afinal não queria que tia Dolores imaginasse que ela tinha problemas com o patrão. Do jeito que a tia era, certamente, a obrigaria a deixar a casa de Darío. Assim sussurrou, mostrando sua irritação:
-Você pode esperar até amanhã! E veja a maneira como fala comigo!
A Darío estava a ponto de explodir:
-Se você não quer vim hoje, também não precisa aparecer aqui amanhã!-Odiava ser contrariado.
O final de semana não estava sendo fácil para Darío Albuquerque: primeiro, a irmã e agora, Tália! Que merda estava acontecendo? O pensamentos furiosos dele se sucediam: tanto uma quanto outra estava se negando a atender a ele...
-Você que sabe!- Disse ao desligar o celular na cara do patrão.
E ao olhar para o aparelho, tinha vontade de entrar nele e sair no apartamento de Darío para está frente a frente com ele e lhe falar muitas verdades. Por meses, fora aos domingos trabalhar, deixando a filha e sua família sem sua presença para atender às excentricidades dele, mas desde que o vira na cama com uma mulher algo nela mudara drasticamente.
"Tália havia terminado o seu serviço daquele dia, precisava se banhar para voltar para casa. Se tudo desse certo, conseguiria chegar antes das sete em casa. Assim ela se esfregava às pressas no banheiro destinado aos empregados e colocou seu vestido leve que a fazia suportar a volta para casa naquele calor infernal do Rio de Janeiro. Ao deixar solto seus cachos e passar um batom rosado, considerou-se pronta para deixar o apartamento de Darío.
Saiu do banheiro e pegou sua bolsa se dirigindo para a cozinha quando escutou um barulho no quarto do patrão e seu corpo estremeceu, sabendo que ele havia chegado mais cedo. Precisava ir, mas o desejo de vê-lo a impulsionou a ir pelo corredor dos quartos lentamente quando começou a escutar gemidos alto de uma mulher. Ela parou por imaginar a cena, mas foi dominada por uma dor dolorosa: Seu patrão mostrando mais uma vez o seu lugar em sua vida. Tália precisava ver, era o instinto  de tortura que ela havia descoberto possuir em se tratando de seu patrão...E assim ela seguiu até a porta do quarto dele, que estava aberta e ele com a mesma proeza que a tomava, estava se fartando em uma mulher linda. Uma morena de quatro enquanto ele a possuía com suas investidas precisas, fazendo com que a mulher gemesse, descontroladamente, a cada estocada em seu corpo. Eles estavam de costas para a porta e assim Tália não era vista, mas isso não a impediu de agarrar a maçaneta da porta e fechar com um estrondo a porta. Ela correu pelo corredor como uma desvairada e saiu pela cozinha deixando a porta aberta. Ao entrar no elevador social, escutou a voz grossa de Darío chamando -a. Não se virou para vê-lo, porque sua atitude, como todas as outros que tivera com ele, demonstrava que não sabia lidar com o patrão."
Desde aquela cena que Tália tentava mudar seu comportamento diante de Darío. Não aceitava mais tão facilmente abrir mão de seu domingo para limpar seu apartamento; tentava se negar a ele, mesmo louca de tesão pelo cafajeste; e por último estava começando a enfretá-lo e isso estava dando um prazer a ela, que nunca havia imaginado ser possível.
Depois do ocorrido com o telefonema de Darío, Tália desligou o celular e voltou para a cozinha. Tia Dolores olhou desconfiada para ela, já esperava que Tália dissesse que ia sair como acontecia com frequência.
-Era Darío querendo que eu fosse hoje também...
-E você disse o quê?- Perguntou a tia com um olhar questionador.
-Deixa a menina, Dodô!- Retrucou tio Bira com sua caneca de café com leite quase na boca. -Ela sabe o que é melhor...
-Já vem você querendo me perturbar!- Criticou a tia.
-Calma calma,crianças. Pode ficar tranquila que não vou sair, tia! Vou passar o dia em casa...pode usar e abusar de mim! - Esclareceu Tália se sentando novamente na mesa e voltando a retirar um pedaço de bolo de fubá que a tia havia feito.
-Você sabe que gosto de ver você em casa para poder descansar um pouco. Agora se quiser fazer as minhas unhas  à tarde, agradeço!- Disse a tia sorrindo.
-Sabia!- Disse Tália rindo da tia.- Vê, tio? Tia Dodô somente quer que eu fique em casa pra fazer as unhas dela...
-Ela poderia ir no salão da Aline fazer as unhas, mas fica com isso que não gosta que ninguém faça as unhas delas a não ser você!- Comentou.
-Mas é verdade! Essas meninas são umas carniceiras, a Tália tem cuidado!
Tália se levantou e foi até tia Dolores e a beijou, abraçando-a:
-Pode deixar, tia,vou fazer sempre sua unha!- Confirmou Tália piscando um olho para o tio.
Tio Bira balançou a cabeça contendo um sorriso.
(...)
Darío com um avental recolhia todas guimbas de cigarro que estavam espalhados e juntando as garrafas de bebidas. A sua indignação por está limpando a casa depois da negativa de Tália fazia com que ele jogasse cada uma das garrafas dentro do saco de lixo com força estilhaçando-as. 
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Oi,gente!
Darío e Tália dando choque sempre! Será que um dia darão uma trégua?😊
Então é isso por hoje e até o próximo capítulo.
Beijos ...
Janete Cléa

     

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