Tália nunca poderia explicar como chegou a sua casa tal era o seu desespero. Parecia que estava em uma bolha, não prestava atenção a nada a sua volta, apenas queria chegar à casa, abraçar a sua tia e descobrir o quê havia acontecido com a irmã. Achava que desde que sua mãe e sua prima haviam morrido nunca mais se sentiria tão desamparada, mas novamente o sentimento de está desprotegida a infrigiu desde que tio Bira deu a notícia sobre Tula.
(...)
Tália estava sentada na sala com apenas a luz da cozinha dando um tom nebuloso ao ambiente. O silêncio a acompanhava e sentia seu corpo um pouco trêmulo com tudo que ouviu, que viu e sentiu naquela noite: Tula estava presa! O advogado e amigo de Henrique, doutor Tony, não dava muitas esperanças para o caso afinal ela fora presa em flagrante. Tula era uma assassina! Tula era sua irmã! O desespero do cunhado ao escutar todas as orientações dadas pelo o advogado era de cortar o coração. O sofrimento de tia Dolores destruiu ainda mais Tália. E o pior era que mesmo sentindo a mesma dor que todos eles, a jovem precisava ser forte para que a tia pudesse se apoiar nela. Todos choraram, Tália deixou suas lágrimas escorrerem timidamente, mas tinha vontade de gritar sua dor e preocupação. Não podia pela sua tia e sua filha. Thauanne não poderia ver a mãe sofrendo!
Tia Dolores dormia a base de remédios, mas fora difícil fazer com que tomasse um tranquilizante, mas depois de toda a insistência de Tália a senhora aceitou. Thauanne dormia sem imaginar todo o problema que a família passava, era uma menina... Tio Bira estava deitado com a esposa, mas Tália não sabia se ele conseguiria dormir; já ela estava ali sem conseguir se acalmar, apenas pensando na irmã e em tudo que possivelmente ela estaria passando em uma delegacia.
-Filha, fiz um chá pra você! - Disse tio Bira tirando a sobrinha de seus pensamentos.
Tália olhou para o senhor e aceitou o chá que pelo aroma era de cidreira:
-Obrigada tio!- Recebeu a xícara com o chá. -Eu ainda não estou acreditando...
-Nem eu, filha!- Disse o senhor se sentando à frente dela.
Ele também tomava o chá e a olhava triste:
-Temos que ser fortes por Dodô e Henri. Sei que é difícil pedir isso pra você, mas viu o descontrole deles. Eles vão precisar muito da gente.
O tio tinha razão e ela precisava ser forte o suficiente para não deixar transparecer seu sofrimento na frente deles.
-Eu sei, tio... E como o senhor está?- Perguntou ela se inclinando pra frente, olhando para o senhor detidamente. Precisava cuidar dele também, fora ele que assumiu o lugar de seu pai.
Tio Bira era um senhor forte, negro com seus poucos cabelos brancos. Havia trabalhado por toda a vida, marido fiel e dedicado, pai carinhoso e avô babão. Tanto Tália quanto Tula foram criadas por ele como se fossem suas filhas. O que ele comprava para Joana, comprava pra elas; o que exigia da filha, exigia das sobrinhas. Nunca existiu diferença na criação delas... Um homem extremamente educado e tranquilo. E quando Tália ficou grávida, o senhor, longe da tia apenas, disse "Conte comigo para o que precisar, filha!". Sabia que ele havia conversado com ela em particular porque não queria causar nenhum constrangimento. Nunca perguntou quem era o pai da filha de Tália. E assumiu a função de avô com tanta alegria que seria impossível a menina ter um avô mais amoroso.
-Tio, o senhor está realmente bem? Porque fiquei tão preocupada com a tia que não perguntei... Está tomando direitinho os remédios da pressão?
-Estou! Não se preocupe com a minha saúde. No momento, precisamos cuidar da Dodô.
-Tem certeza?-Perguntou desconfiada.
-Tenho!- Sorriu triste.
Era possível ver que ele queria tranquilizar a sobrinha.
-Vamos deitar! Amanhã temos muita coisa para resolver.-Disse o tio antes de tomar mais um pouco do chá e se levantar.
-Logo logo me deito, tio!
E assim ela assistiu ao tio ir para o quarto. Naquele momento, sentiu uma solidão sem tamanho, porque mesmo que dormisse com a filha, não tinha quem a abraçasse consolando ou lhe dando a força que precisava.
(...)
Na manhã seguinte...
Tália estava de pé logo cedo, quase não pregou os olhos e os poucos momentos que conseguia dormir sua mente reproduzia o sofrimento da irmã...Teve pequenos sonhos em que Tula sofria na prisão. Um verdadeiro horror!
Tio Bira naquele dia terminou indo comprar o pão e, principalmente, o jornal um pouco mais tarde. Certamente, não havia dormido e isso explicava o horário que levantou. Tia Dolores levantou logo assim que ele havia saído e ao se deparar com Tália na frente do fogão disse:
-Bom dia, filha!- Cumprimentou a sobrinha com um beijo no rosto. -Deixa que eu faço o café.
Tália deu lugar a tia, não queria contrariar a senhora, principalmente, naquele momento delicado. Esperou que a tia comentasse algo sobre Tula, mas como não aconteceu, perguntou:
-Conseguiu relaxar tia?
-O tranquilizante me apagou, mas não posso dizer que relaxei ...A primeira coisa que pensei foi na Tula quando despertei...Por que ela foi fazer isso?-Perguntou já com os olhos lacrimejando.
-Ela não pensou, tia. Como Henri e o doutor Tony disse: foi sobre forte emoção...-Explicou com a voz embargada.
As duas cheias de emoção se abraçaram...
-Cheguei com o pão. -Disse tio Bira, interrompendo as duas mulheres.
Os três adultos sentaram para tomar o café da manhã, mas não conseguiram se alimentar direito. Thauanne se levantou alguns minutos depois sem entender o que passava, apenas perguntou sobre a escolinha. Tália resolveu não levá-la para a escola, queria a filha com ela.
Tio Bira terminou o seu café da manhã e se levantou para ligar a TV para a menina que pedia para ver desenho. Tália se levantou também e retirou a mesa enquanto lavava a louça, imaginou que seria bom se o tio tivesse trazido o jornal como era de costume. Henrique era um fotógrafo conhecido e consequentemente Tula também. Esperava que os jornais não tivessem nada para divulgar sobre sua irmã... Já era triste o que havia acontecido e ainda ver estampado nos jornais multiplicava a dor que sentiam.
(...)
E em Milão...
Darío já havia entrado em contato com dois amigos seus que moravam ali. Paulo era modelo e ainda continuava exercendo a profissão ativamente; já Gonzalo, como ele, havia se dedicado a outra atividade, possuía um loja de roupas masculinas com a sua marca. O último questionou a Darío o porquê não havia se hospedado em seu apartamento. E ele explicou sua necessidade de está sozinho...À noite depois do primeiro desfile, iriam a boate Disco New Madison para aproveitarem porque os três havia tempo que não se viam.
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