No mesmo dia...
Ao chegar em casa, Tália é
surpreendida por Anne, sua filha, que foi até ela correndo feliz:
surpreendida por Anne, sua filha, que foi até ela correndo feliz:
-Mãeeee!
-Oi, filhota! -Abaixou-se para abraçar a filha.
As duas se abraçaram, enquanto a mãe alçava a filha no colo:
-Se comportou bem com a vovó?- Perguntou à menina.
Thauanne deu um sorriso matreiro e disse:
- Eu amo a vovó!
-E eu amo você também, sapeca!- Disse tia Dolores entrando na sala.
Tália com Anne no colo foi até a tia e a beijou.
- E como foi hoje, tia. Como o Rubens está?
A tia sentou no sofá encarando a sobrinha:
-Graças a Deus está melhor. Já está fazendo fisioterapia, logo logo vai poder voltar a trabalhar.
Rubens era o viúvo de Joana, filha de tia Dolores e tio Bira. Tália e Tula foram criadas com Joana que devido ao câncer veio a falecer muito jovem. Tia Dolores nunca mais foi a mesma depois que sua filha morreu, mas era uma senhora durona então se fingia de forte. A alegria da senhora retornou quando Tália anunciou sua gravidez e desde então, Thauanne era tudo para a senhora.
-Que bom, tia!
Tália sentou no outro sofá diante da tia.
-Mãee, vamos brincar!- Pediu a filha.
Thauanne sempre chamava as pessoas quase que gritando, era a maneira que ela tinha de chamar atenção.
-Deixa a mamãe tomar um banho e aí a gente brinca...
-Também quero!- Pediu a menina.
-Então vamos...
-Ela já está de banho tomado,Tália! - Alertou a tia.
-Vamos ver quem chega no banheiro mais rápido!- Disse Tália à filha, que saiu desesperada na frente da mãe rindo.
Tália virou pra tia e disse:
-Ela somente quer brincar tia... Tomo o meu banho e molho um pouco ela. JÁ VOU !- Explicou à tia e logo gritou para a filha que já estava se escondendo no banheiro rindo.
Tália se transformava em criança quando estava com a filha. Nessas horas esquecia todos os problemas, que a afligiam. Buscava sempre uma maneira de dar sempre o melhor para a menina. Vivia com os tios desde criança, mas sonhava em ter uma casa para Anne. Queria que a menina tivesse uma herança, pensava em colocar a menina nas melhores escolas e, sim, imaginava a filha formada em uma faculdade. Diferente de seu futuro.
(...)
Já passava das 22:00...
-Alô, mãe!
-Oi, meu filho. Pensei que não ia ligar esta semana...
-Eu sempre ligo. A senhora sempre reclama, mas não passo uma semana sem ligar.
A mãe riu do comentário e falou:
-Eu sei, filho! Sabe como é sua mãe... E como você está?
-Bem, a agência anda bem, mês que vem vou para Semana de Moda de Milão. Vou como modelo!
-Você ainda desfila?Pensei que havia deixado.
- É ,Dona Inês, mas quando aparece alguma proposta, desfilo.
- Se faz bem pra sua carreira...
- E Dafine tem entrado em contato?
-Sabe que depois que seu pai encheu a cabeça dela, nunca mais foi a mesma...
-Não sabia que vocês estavam assim... Se der amanhã vou na casa dela. Quero saber como ela está...
-Ela voltou para a favela.
-COMO?! -Gritou ele. -Como isso aconteceu e eu não soube de nada?-Perguntou nervoso quando soube que a irmã havia voltado para o lugar que haviam sido criados.
-Não gosto de encher a sua cabeça! E depois ela é bem grandinha para saber o que é melhor pra si. -Dona Inês com o seu discurso firme parecia forte, mas era apenas aparência...
-Amanhã sem falta vou lá. Depois ligo pra senhora!
-Tudo bem, filho. Mas vai com calma, sabe como é a sua irmã...não aceita bem conselhos.
-Mas eu não vou lá dar conselhos, mãe! Vou lá apenas pra buscar ela. Não tem motivos para voltar a viver lá... Algumas vezes vou pra encontrar os meus amigos, mas voltar a morar?
-Pois é...foi o que disse a ela. Ela não aceita o que fiz no passado. Eu era jovem demais... Hoje NUNCA seria amante de um homem casado, mas ela não entende. É muito radical!
-Que ela não aceite! Agora achar que pode fazer o que lhe dá na telha, está enganada!
Dona Inês sentia que o filho mais velho estava cada vez mais indignado com o comportamento da irmã. Não queria que eles brigassem e sabia o quanto Darío poderia ser difícil quando estava nervoso.
-Deixa pra semana que vem...
-Vou amanhã mesmo, MÃE!
-Tudo bem... Depois me liga quando falar com ela.
-Vou tentar dormir, mãe! Mas sei que não vou conseguir...
- Por isso não gosto de contar as coisas...
-Fica tranquila que vou resolver tudo.Boa noite!
-Boa noite!
E assim os dois desligaram os telefones.
Darío retirou toda a sua roupa e deitou na imensa cama, seus pensamentos eram em Dafine e sua mãe. Os três haviam vivido por quase toda vida na favela da Nova Holanda. Sua mãe saía para trabalhar cedo em casa de família para trazer o pão de cada dia para os filhos. Ele precisava cuidar da irmã caçula e da casa para que Dona Inês pudesse trabalhar tranquila. Iam à escola e ao voltar organizavam tudo. Talvez por isso não tivera tempo de se juntar com alguns meninos que, infelizmente, se envolveram no mundo das drogas. Quando estava com dezesseis pra dezessete anos, uma ONG passou a fazer alguns projetos na favela e foi assim que ele foi descoberto e se tornou modelo. E da noite pro dia assinou contrato com um agência importante e quando menos esperou já estava sendo um dos modelos exclussivo de uma marca internacional. Foi assim que a vida de sua família mudou.
Todo dinheiro que fez foi para dar uma vida melhor a mãe e a irmã. E conseguira! E tudo estava indo bem, naquele início de carreira de Darío, entre os três até o ex-patrão de toda a vida de Dona Inês aparecesse e contasse que ela havia sido amante dele por anos. Darío até desconfiara na época, teria que haver uma explicação para que a mãe tão linda e jovem não ter namorado, mas o mais assustador foi saber que tanto ele quanto a irmã eram filhos daquele homem. Foi difícil aceitar que durante toda a sua vida tivera pai e este não participara da sua vida por escolha. Agora, há pouco tempo o pai, o industrial Ricardo Albuquerque, contou que Dona Inês que não queria que ele assumisse o papel de pai que ele quisera no passado. Isso causou um grande mal a Dafine.
Os dois na época que souberam fizeram o exame de DNA que Dona Inês fez questão que fizessem e ao sair o resultado confirmando a paternidade, os dois tiveram que mudar os documentos e acrescentaram Ricardo Albuquerque em seus registros de nascimento. A partir daí passaram a ser seus herdeiros. Darío procurou ter uma boa relação com o pai, sem cobranças, mas era difícil ter um pai da noite pro dia. Já Dafine não aceitava o pai, achava que ele havia humilhado a mãe deles. A questão era que Dafine acreditava que o pai não assumiu a mãe deles por ela ser negra, ele um homem branco com os olhos azuis e milionário não gostaria de ter ao lado uma negra pobre da favela. Assim pensava Dafine.
A solução para Darío era fazer a irmã aceitar ir a um psicólogo. Não queria que a irmã continuasse vivendo com aquele conflito. Talvez para ele não tenha sido muito conflituoso toda aquela situação por ter passado mais tempo na Europa do que no Brasil. A distância ajudou para que ele não se sentisse pressionado a determinar quem era o culpado por tudo aquilo. Já Dafine não tivera a mesma oportunidade. Era uma linda mulher, mas não quisera se tornar modelo assim se formou em contabilidade.
Os pensamentos de Darío não paravam. Todos os seus planos do final de semana haviam mudado...
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Oi, gente!
Thauanne é uma fofa! E alguém lembra do Rubens? 😉
Agora que história a do Darío. Né? Todo mundo com os seus problemas...
Espero que tenham gostado do capítulo.
Beijos e até mais...
Janete Cléa
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