Continuação...
Em Milão...
Darío tomava sua bebida favorita, Bellini. Ele sempre que estava na Itália tomava aquela saborosa mistura entre o Proseco e pêssego branco. Gonzalo e Paulo ao seu lado sorriam para as jovens lindas que passavam por eles enquanto bebiam também. Era impossível para elas não prestarem atenção àqueles belos exemplares de homens. Gonzalo era loiro com os olhos claros e com seus quase um e noventa de altura; já Paulo e Darío eram negros e igualmente altos, apenas Darío possuía olhos claros enquanto Paulo tinha olhos bem escuros. Lindos!
-Hoje à noite promete!- Disse Paulo sorrindo.
Darío buscou com olhar a direção para qual o amigo olhava e viu algumas belíssimas mulheres. Certamente, eram modelos como eles. Andar por Milão era está em volta de modelos constantemente.
-Acho que hoje à noite vai dá pra fazer uma festinha coletiva!- Brincou Gonzalo. Ele era adepto a sexo grupal.
Os três amigos já haviam participado diversas vezes de "festas coletivas" na época que Darío vivera na Itália. Paulo sorriu com a sugestão, já Darío continuava bebendo em silêncio como se seus pensamentos estivessem longe
-O que aconteceu?- Perguntou Paulo tocando no ombro do amigo disperso.
Darío se voltou para os amigos e sorriu:
-Nada! Estava admirando aquela morena ali próxima da de vestido vermelho.
Os amigos se voltaram e admiraram a morena com o cabelo curto e extremamente alta. Talvez até aquele momento ela não tivesse se dado conta de que era observada... Enquanto os amigos admiravam a morena, Darío pediu outra bebida para si e, novamente, estava longe de tudo o que o cercava.
-Está acontecendo alguma coisa,Darío?! Você era o que mais curtia as festas!- Disse Paulo preocupado.
-Em outros tempos, você estaria no quarto ou quinto Bellini. Acho que você está ficando velho mesmo!- Brincou Gonzalo concordando com Paulo que o amigo estava estranho. Não era o mesmo Darío festivo de antes que não largava seu copo e logo se envolvia com alguma mulher assim que pisava nas boates ali da Itália, ou até mesmo de outros países que participavam de Semanas de Modas.
Darío riu com os comentários dos amigos e confessou:
-O certo mesmo era ter parado de beber de vez, andei bebendo demais e consegui diminuir um pouco.
Os amigos surpresos com a confissão de Darío não sabiam o que falar até que Gonzalo levantou a taça e disse:
-Isso merece um brinde!
Eles riram e levantaram as taças para brindar.
- À menos bebidas!
Gargalharam a incoerência do brinde: brindar menos bebidas com bebidas!
(...)
Darío abria a porta de seu quarto ainda sem entender o quê o havia feito voltar para o hotel ao invés de sair com os amigos e aquelas lindas mulheres. Por mais que quisesse se divertir com os amigos e desfrutar de uma gostosa noite de prazer, algo que ele nunca dispensara, mas sua cabeça estava voltada para Tália. Desde que a deixara naquela praça em Madureira, ele não parava de pensar que havia algo errado para que ela não aceitasse que ele a levasse em casa. Pela tarde ligou para a empregada e nem sabia o que falaria, afinal sempre ligara apenas para combinar trabalhos extras em seu apartamento, mas queria saber o que havia feito ela não deixá-lo ir a sua casa:
" Depois de três toques, Tália atendeu:
-Alô?!- Era possível perceber a surpresa de Tália.
-Oi,Tália!
- Aconteceu alguma coisa?
-Por que deveria ter acontecido algo?-Perguntou ele sem saber o que falar.
-Você não viajou? Aconteceu alguma coisa com o apartamento?
-Não! Está tudo sobre controle. Estou em Milão...
-E...
-Liguei para saber como você está...
-Como eu estou?! Darío você está bem?
Os dois não possuíam o tipo de relacionamento em que um ligasse para o outro para saber se estavam bem ou não. Sem contar que a cabeça e todos as emoções dela estavam voltados para a prisão de sua irmã. Realmente não entendia o porquê daquele telefonema e acreditava que era bem possível que o patrão estivesse entediado e resolvera brincar com seus sentimentos, apenas isso explicava aquele telefonema direto da Itália. Darío não era exatamente um homem amoroso com seus casos, pelo menos não era com ela. Talvez ele nem a considerasse como um caso propriamente dito, provavelmente, era algo bem menor do que isso. E ter isso claro para ela deixava mais indignada por ainda está envolvida com ele.
-Estou bem sim! Queria saber de você, apenas isso.
-Darío, estou bem e sem tempo para conversar se esse é seu objetivo!-Falou dura.
-Você está de folga por minha viagem e NÃO TEM TEMPO?!- Ele rapidamente ficou extremamente aborrecido com a maneira como ela falava com ele.
- Não fui eu que pedi folga! E se você não tem nada de importante pra me falar...-Falou sussurrando com receio que a tia escutasse.
Sempre quando ele ligava, Tália ia para o quintal para que tia Dolores não escutasse, ela ficava atenta a tudo que dizia respeito a sobrinha e como pela tia Tália já teria deixado de trabalhar para ele...A jovem preferia que a tia não soubesse do que falavam ou como conversavam. Era bem possível pela sagacidade da tia que ela descobrisse o que existia entre a sobrinha e o patrão apenas em escutar uma conversa. Isso era a última coisa que ela queria que acontecesse.
-Por que você está falando BAIXO?!- A desconfiança crescia.
-Vou desligar porque tenho minha folga para aproveitar!
-TÁLIA...TÁLIA...
E ela desligou em sua cara. Aquela ligação fez com que ele estalasse o celular na parede do quarto. Como ela ousava desligar em sua cara? Cada dia ficava mais claro que ela tinha alguém e por isso em algumas ocasiões falava baixo ao celular. Ele se considerava tão esperto e, mesmo assim, não havia detectado antes aqueles indícios de que ela possuía uma vida dupla.
Tália depois de desligar o celular balançou a cabeça de um lado para o outro como uma clara demonstração de que não entendia nada do que passava com seu patrão. E naquele momento também não estava preocupada com isso. Queria apenas um momento de paz para poder suportar todo problema que estava vivendo com sua família. Quando estava por entrar em sua casa, reparou num embrulho escondido atrás de uns jarros de plantas. Aproximou-se e retirou uma sacola branca, dentro estava o jornal do dia. E não foi preciso muito esforço para saber que havia sido tio Bira que havia escondido o jornal, que em uma de suas notícias falava sobre a prisão de sua irmã. Os olhos lacrimejaram ao ler todo a notícia... O tio certamente escondeu o jornal para que tanto ela quanto tia Dolores não se dessem conta de que Tula estava no jornal! E depois de lê-lo, guardou no mesmo lugar e voltou para dentro de casa."
Depois daquele telefonema frustrado, o dia havia mudado completamente pra ele. Havia desfilado como o bom profissional que era, reencontrou os amigos e no final foram a uma das melhores boates de Milão.
E quando já estava planejando sair da boate acompanhado pelos amigos e as lindas mulheres, Darío percebeu que não conseguiria participar da "festinha sexual" que iria acontecer no apartamento de Paulo. Não adiantava insistir com uma situação que ele não estaria cem porcento envolvido e assim inventou que estava cansado para os amigos e os deixou impressionados ao sair da boate sem nem ao menos reconsiderar a possibilidade de se divertir com eles. Tanto Gonzalo quanto Paulo estavam surpresos com aquele novo Darío. Nunca haviam visto ele beber pouco em uma festa e muito menos recusar sexo.
Já Darío se controlava para não ligar para Tália novamente assim que chegara ao quarto de hotel. O fuso horário era o principal motivo que o impedia de fazer tal ligação. Essa era a desculpa que se dava, mas a verdade era outra!