sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Capítulo 1 : Reflexão

Tália olhava a filha dormindo em sua cama e a beijou para se despedir silenciosamente. Pegou sua bolsa à tiracolo  e saiu do quarto, tentando não fazer barulho para não acordar Thauane, a filha era uma menina muito esperta e algumas vezes geniosa. Não poderia dizer que era difícil educar a filha, porque a menina vivia cercada pelos seus tios: tia Dolores, tio Bira, tia Tula e tio Henrique. Apesar de toda colaboração  que Tália recebia para criar Thauane, não era fácil para uma mãe deixar a filha pequena em casa para ir trabalhar. O sofrimento era menor porque sabia que tia Dolores cuidava muito bem da pequena. A tia e o tio eram os avôs  que sua filha não conheceu.
Tália e Thauane viviam ali na casa dos dois tios e era tanto amor dentro daquela casa que a mãe sabia que saía para trabalhar e voltaria à noite para encontrar uma filha bem cuidada e amada por seus tios. A menina era tratada como uma princesa por eles. E Tália não sabia como agradecer tanto amor recebido.
Tália e a irmã Tula foram criadas pelos tios após a morte da mãe. Tia Dolores, mesmo com uma filha pequena, recebeu as sobrinhas com os braços abertos e fez mais do que pôde para cuidar, orientar e amar as duas.  Foram dias difíceis...  curar as feridas das jovens, afinal não era fácil perder a mãe quando Tália ainda era uma menina e Tula já era uma adolescente. Porém conseguiram!
Entrando na cozinha, encontrou tia Dolores passando um café fresquinho e tio Bira já limpando a gaiola do passarinho. Ele já havia comprado o pão bem quentinho na padaria de Seu Mário e agora, quase como um ritual religioso, limpava seu pássaro. Seus tios mesmo aposentados acordavam cedo todo santo dia e assim sempre tomavam café da manhã com Tália.
-Senta minha filha! - disse tia Dolores.
Tália foi até a tia e beijou a testa da senhora baixinha.

- Bom dia! Vou tomar um café rapidinho, porque senão não chego hoje na casa do patrão     
- Bom dia! Vou tomar um café rapidinho, porque senão não chego hoje na casa do patrão...
-Desde que fizeram o BRT, você ainda consegue dormir mais um pouquinho, antes saía ainda estava escuro...
-O BRT é bom ,mas o aperto que passo nele ... -reclamou Tália tomando o café.
-Pois é...Não dá pra ganhar todas! -disse a tia sentando-se na frente da sobrinha e comentando como se não quisesse chamar atenção de tio Bira, mas indicando com o dedo o marido. - Não adianta chamar pro café, ele só come depois que esse pássaro está limpo.
O tio colocou a cabeça no vão da porta e disse:
- Não adianta vocês duas ficarem cochichando...

-Tio, nem falei nada! - disse Tália levantando da mesa com um pedaço de pão na mão e beijando a tia
Tio, nem falei nada! - disse Tália levantando da mesa com um pedaço de pão na mão e beijando a tia.
-Não vai comer tudo, Tália ?
- Não, tia. Não vai dar tempo...
-Assim você vai emagrecer!
-Vê, tio! Se como, reclama porque nunca vou emagrecer e se não como, reclama porque vou emagrecer. Posso com isso?! - perguntou sorridente Tália enquanto beijava o tio .
-Ela é assim...Não sabe o que quer!
-Pode parar de dar razão a ela, Bira!Eu sei o que é melhor pra vocês! - disse a tia fazendo cara feia.
-Tchau, tchau !- despediu-se a sobrinha pegando a bolsa e mandando beijos já da porta da cozinha para os tios.
Tália saiu e caminhou pelo caminho que levava até o a estação do BRT do seu bairro, Madureira. O movimento pela manhã cedo era demais. Era um bairro que parecia não dormir, já às cinco e meia da manhã era gente para todos os lados, todos correndo para pegar trem, ônibus e, agora, também o BRT.
No momento que chegou a estação e enfrentou a fila para embarcar na condução superlotada, não conseguia pensar em mais nada a não ser entrar no transporte e encontrar um lugarzinho, mesmo que em pé,  para ir sem apertarem muito a ela. Quando entrou, encontrou um lugar no meio daquele tanto de gente que ia para os seus trabalhos como ela. Assim ela fez todo o percurso em pé e seus pensamentos eram em sua irmã Tula reclamando por ela não aceitar um carro. Segundo sua irmã já que ela não aceitava um emprego melhor que a irmã poderia arrumar pra ela, então poderia aceitar um carro de presente. Assim não precisava se sacrificar tanto para ir ao trabalho. Sua família não entendia o quanto para ela era importante alcançar seus objetivos através de seus próprios esforços. 
Tália se sentia feliz ao saber o quanto era amada por sua família: primeiro, por terem assumido sua criação após a morte da mãe; depois, por aceitarem sua gravidez sem exigirem que ela dissesse quem era o pai de Thauane; por último, ajudavam nas despesas da filha dela e o carinho recebido pela pequena. Não podia aceitar que sua irmã ainda desse um carro para ela...
Quem sabe um dia teria o seu próprio carro, mesmo que fosse um "caidinho", mas seria conquistado com seus esforços. Até já tinha umas economias, mas não sabia se tentava financiar uma casinha para ela e a filha, ou financiar um carrinho, ou guardar para uma eventualidade. Afinal ela, como responsável pela filha, não podia ficar esperando por eles.
De repente, seu olhar caiu sobre um casal sortudo que havia sentado no BRT e reparou no chamego entre os dois. Se dissesse que não sentia  inveja, era mentira. Gostaria de ter alguém ao seu lado que a tratasse com tanto carinho quanto àquele rapaz tratava a acompanhante .
Há um certo tempo havia se resignado a assistir à demonstração de carinhos entre casais enquanto ela por sina nunca havia se relacionado com ninguém que a fizesse se sentir especial. Até aquele momento sempre fora apenas sexo! Não sabia o quê acontecia com ela que de todos os homens que ela tido algum relacionamento, nenhum quis mais do que sexo. Teve uma época quando mais jovem,pensava que era por ser gordinha. Talvez estar acima do peso não estimulasse aos homens a querer algo sério com ela, mas depois de ter prestado mais atenção ao redor, tantas mulheres e homens acima do peso  possuíam relacionamentos amorosos. Então não era isso! Suas colegas diziam que ela tinha o dedo podre para escolher homens! E sim, tinha o dedo podre...
Ao descer do BRT, foi caminhando para o ponto do ônibus, porque a Barra da Tijuca era um lugar, onde você  andava de carro ou sim ou sim. Por mais que o prédio que ela trabalhava não fosse longe, ela precisava tomar mais um ônibus, era complicado ir andando ...
(...)
Assim que pisou na entrada do prédio, logo veio a sua cabeça o seu ardiloso e sensual patrão. Esperava que ele não estivesse logo cedo, mas como Darío trabalhava para si mesmo, possuía com um amigo uma agência de modelos muito famosa, por isso fazia seu horário. Desse jeito, Tália poderia passar dias indo ao apartamento limpar, passar, cozinhar e congelar comidas para ele e não vê-lo em nenhum desses dias. Ou encontrá-lo todos os dias .
O embate entre empregada e patrão não era fácil. Darío com a sua sagacidade descobrira, facilmente, que ela se sentia atraída por ele. O patrão não pensou duas vezes antes de seduzi-la e, hoje em dia, depois de algumas poucas vezes que cedera aos caprichos do patrão( que também era o dela), ela já havia deixado bem claro na última vez que se entregou, que aquela seria sua última transa  com ele. Ele como sempre não questionara, mas até porque mulheres para sua cama não  faltavam.
Tália como uma boba chegou a acreditar que, em algum momento, Darío perceberia o quão especial ela era. Talvez até descobrisse que estava apaixonado, mas isso não aconteceu!  E ela depois de encontrá-lo transando com uma de suas modelos, ficou claro que sexo e mais sexo era tudo que o patrão pensava. Não revelou a ele que estava apaixonada e nem que morrera de ciúmes, podia enganar a ele, mas não a si mesma. E por esse motivo, mesmo desejando o patrão loucamente, não queria mais nada com ele!
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Oi, gente!
Será que, como Tália, nos enganamos com os caras? Idealizamos romance e o cara quer apenas sexo? 🤔
E obrigada por estarem aqui juntinho comigo, com Tália e companhia! 😘😘😘😘
Ahhh não esqueçam de comentarem, é motivador saber que vocês estão aí do outro lado e saber o que estão achando.
Janete Cléa

     

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